terça-feira, 11 de março de 2025

La Niña em 2025 deve impactar o setor de energia

Segundo previsão da Climatempo, o fenômeno deve persistir ao longo do verão. Geração hídrica será favorecida, mas as fontes eólica e solar serão prejudicadas em função de ventos menos intensos e da redução de dias de sol.

Segundo Sondermann, a La Niña pode impactar negativamente a geração hídrica na região, devido à redução esperada na precipitação, com predominância de dias secos e ensolarados. No que diz respeito à geração eólica, a La Niña pode reduzir o potencial de geração no Nordeste, onde estão os principais parques no país.
Fontes renováveis de energia, solar e eólica

A presença da La Niña no Oceano Pacífico Equatorial foi confirmada em 09/01/25 pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, com expectativa de que deverá persistir ao longo do verão. O fenômeno traz impactos diferentes sobre o setor de energia. Será positivo para a geração hídrica, por conta da boa qualidade do período chuvoso, mas negativo para a geração eólica e solar, em função de ventos menos intensos e da redução de dias de sol, segundo análise da Climatempo, empresa de consultoria meteorológica e previsão do tempo do Brasil e da América Latina.

Em relação à geração hidrelétrica, houve a recuperação dos reservatórios já no início do período úmido devido aos altos volumes de precipitação, bem distribuídos pelas diversas regiões, especialmente na cabeceira da bacia do rio Paraná, que inclui os rios Grande e Paranaíba. Com o La Niña, este cenário de chuvas deve permanecer durante todo o verão no Brasil Central.

Segundo a meteorologista Marcely Sondermann, especialista em Clima e Mudanças Climáticas na Climatempo, o cenário deve ser próximo ao que se verificou ao longo da primavera de 2024, quando o resfriamento do Oceano Pacífico Equatorial e a consequente formação da La Niña favoreceram a ocorrência de zonas de convergência de umidade e aumentaram a frequência de chuvas sobre as principais bacias do Sistema Interligado Nacional (SIN). Na ocasião, houve uma recuperação gradativa dos níveis dos reservatórios – fatores que contribuíram para reduzir as tarifas de energia. “A expectativa é que o fenômeno tenha agora no verão um efeito semelhante ao da primavera, contribuindo para a geração hídrica”, afirma.

Efeitos desfavoráveis da La Niña

La Niña confirmada: Incertezas e impactos climáticos drásticos no Brasil!

La Niña causa alterações climáticas no Brasil

La Niña pode causar impactos significativos no clima do Brasil, com efeitos regionais variados, pois, nosso país é possui um gigantesco território com os mais variados e diversificados climas e vegetação. As incertezas sobre sua intensidade e data de início geram preocupações em relação à agricultura, saúde e segurança da população.

Mas nem todas as regiões serão favorecidas por mais chuvas. No Sul do Brasil, as chuvas já começaram a se tornar mais irregulares. Segundo Marcely Sondermann, a La Niña pode impactar negativamente a geração hídrica na região, devido à redução esperada na precipitação, com predominância de dias secos e ensolarados.

No que diz respeito à geração eólica, a La Niña pode reduzir o potencial de geração no Nordeste, onde estão os principais parques no País. Isso ocorre porque a velocidade dos ventos é inversamente correlacionada às chuvas, ou seja, em períodos mais úmidos, a intensidade dos ventos tende a diminuir, impactando a geração de energia.

Sobre a fonte solar, a La Niña pode limitar a geração de energia fotovoltaica por conta da maior frequência de dias nublados e chuvosos previstos enquanto o fenômeno durar, especialmente entre o Nordeste e o Sudeste, em estados como Piauí e Minas Gerais, onde estão localizados os principais parques solares do País.

El Niño marcou os dois últimos anos

Entre os anos de 2023 e 2024, o clima foi impactado por um El Niño forte, que acarretou eventos extremos, intensificados pelos efeitos do aquecimento global. Houve alterações significativa do regime de chuvas e das temperaturas no Brasil.

“No Sul, por exemplo, ocorreram chuvas extremas e frequentes, que resultaram em inúmeros prejuízos sociais, econômicos e ambientais. Por outro lado, a Região Norte enfrentou duas secas severas históricas e consecutivas nesse período, que impactaram diretamente a geração e a transmissão de energia”, afirma Marcely Sondermann.

Ela lembra que, por conta da seca histórica do rio Madeira, ocorreu o desligamento de uma das maiores linhas de transmissão de energia elétrica do Brasil, que conecta as regiões Norte e Sudeste.

No Brasil Central, onde estão os principais reservatórios de energia do País, o cenário foi de chuvas abaixo da média e intensas ondas de calor, que elevaram o consumo de energia. Essa combinação levou à queda nos níveis dos reservatórios e à necessidade de acionar termelétricas, elevando os custos e impactando diretamente o preço da energia. (pv-magazine-brasil)

domingo, 9 de março de 2025

La Niña persiste no verão e impacta setor de energia

La Niña deve persistir no verão e impactar setor de energia, prevê Climatempo.
Projeções da consultoria apontam favorecimento para geração hídrica e prejuízos para eólica e solar.

A presença da La Niña no Oceano Pacífico Equatorial foi confirmada em 9 de janeiro pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, com expectativa de que deverá persistir ao longo do verão. O fenômeno traz impactos diferentes sobre o setor de energia, sendo positivo para a geração hídrica e negativos para as fontes de energias eólica e solar em função de ventos menos intensos e da redução de dias ensolarados.

Ocorrência La Niña em 2025 vai impactar o setor de energia, alerta Climatempo

Fenômeno foi confirmado e, segundo previsão da Climatempo, deve persistir ao longo do verão.

O La Niña deve ser positivo para a geração hídrica, por conta da boa qualidade do período chuvoso, mas negativo para a geração eólica e solar, em função de ventos menos intensos e da redução de dias de sol, segundo análise da Climatempo, empresa de consultoria meteorológica e previsão do tempo do Brasil e da América Latina.

La Niña em 2025 deve impactar a maioria dentre todo o setor de energia

Em relação à geração hidrelétrica, a Climatempo relata que houve a recuperação dos reservatórios já no início do período úmido devido aos altos volumes de precipitação, bem distribuídos pelas diversas regiões, especialmente na cabeceira da bacia do rio Paraná, que inclui os rios Grande e Paranaíba. Com o La Niña, este cenário de chuvas deve permanecer durante todo o verão no Brasil Central.

Segundo a meteorologista Marcely Sondermann, especialista em clima e mudanças climáticas da Climatempo, o cenário deve ser próximo ao que se verificou ao longo da primavera de 2024. Na ocasião, o resfriamento do Oceano Pacífico Equatorial e a consequente formação da La Niña favoreceram a ocorrência de zonas de convergência de umidade e aumentaram a frequência de chuvas sobre as principais bacias do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Com isso, houve uma recuperação gradativa dos níveis dos reservatórios, o que contribuiu para reduzir as tarifas de energia. “A expectativa é que o fenômeno tenha agora no verão um efeito semelhante ao da primavera, contribuindo para a geração hídrica”, afirma a especialista.

Efeitos desfavoráveis da La Niña

Inverno e a primavera de 2024-2025 em USA estão sob o impacto potencial do fenômeno climático La Niña, evento natural amplamente conhecido por suas consequências no clima global. Fenômeno é caracterizado pelo resfriamento das águas superficiais no Oceano Pacífico Equatorial, influenciando diretamente padrões climáticos ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, os efeitos esperados incluem invernos mais rigorosos em algumas regiões, secas em outras e alterações significativas nos padrões de precipitação e temperaturas.

Mas nem todas as regiões serão favorecidas por mais chuvas. No Sul do Brasil, as precipitações já começaram a se tornar mais irregulares. Segundo Sondermann, a La Niña pode impactar negativamente a geração hídrica na região, devido à redução esperada na precipitação, com predominância de dias secos e ensolarados.

No que diz respeito à geração eólica, a La Niña pode reduzir o potencial de geração no Nordeste, onde estão os principais parques no país. Isso ocorre porque a velocidade dos ventos é inversamente correlacionada às chuvas, ou seja, em períodos mais úmidos, a intensidade dos ventos tende a diminuir, impactando a geração de energia.

Sobre a fonte solar, a La Niña pode limitar a geração de energia fotovoltaica por conta da maior frequência de dias nublados e chuvosos previstos enquanto o fenômeno durar. O cenário acontece especialmente entre o Nordeste e o Sudeste, em estados como Piauí e Minas Gerais, onde estão localizados os principais parques solares do país.

No Brasil Central, onde estão os principais reservatórios de energia do país, o cenário foi de chuvas abaixo da média e intensas ondas de calor, que elevaram o consumo de energia. Essa combinação levou à queda nos níveis dos reservatórios e à necessidade de acionar termelétricas, elevando os custos e impactando diretamente o preço da energia.

El Niño marcou os dois últimos anos

Entre os anos de 2023 e 2024, o clima foi impactado por um El Niño forte, que acarretou eventos extremos, intensificados pelos efeitos do aquecimento global. Houve alterações significativa do regime de chuvas e das temperaturas no Brasil.

“No Sul, por exemplo, ocorreram chuvas extremas e frequentes, que resultaram em inúmeros prejuízos sociais, econômicos e ambientais. Por outro lado, a região Norte enfrentou duas secas severas históricas e consecutivas nesse período, que impactaram diretamente a geração e a transmissão de energia”, afirma Marcely Sondermann.

Ela lembra que, por conta seca histórica do rio Madeira, ocorreu o desligamento de uma das maiores linhas de transmissão de energia elétrica do Brasil, que conecta as regiões Norte e Sudeste.

Prolongamento do La da Niña acende alerta para agricultura e geração de energia. (novacana)

sexta-feira, 7 de março de 2025

La Niña será que um sinal mais brando trará menos problemas?

O que é La Niña? Vai alterar o clima da Europa? Será que um sinal mais brando trará menos problemas?
Será que um sinal mais brando trará menos problemas? La Niña é semelhante a El Niño, que causou seca e calor mortal em 2024.

A tão esperada La Niña chegou finalmente, mas é fraca e os meteorologistas dizem que não é provável que cause tantos problemas climáticos como é habitual.

Os especialistas esperavam a chegada deste fenómeno climático desde a primavera passada, mas, finalmente, o arrefecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial central foi confirmado no início de janeiro pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). O fenómeno homólogo, El Niño, terminou em junho/24, após um período invulgar de 3 anos.

Lars Lowinski, meteorologista da Weather & Radar, afirma que as previsões para o inverno de 2024/25 sugeriam um evento muito mais pronunciado a partir do verão.

"Na realidade, porém, demorou muitos mais meses, com um sinal claro a surgir apenas em dezembro de 2024, e é bastante fraco em comparação com o que vimos entre o final de 2020 e 2023", afirma.

O seu aparecimento tardio será provavelmente objeto de muita investigação. Os especialistas da NOAA já estão a perguntar-se se a chegada tardia de La Niña poderá ter sido influenciada ou mesmo mascarada pelo aquecimento dos oceanos.

O que é La Niña?

A Oscilação Sul do EL Niño (ENSO) é um padrão alternado de temperatura da superfície do mar e de alterações atmosféricas no Oceano Pacífico tropical. No ano passado, provocou secas, escassez de alimentos e um calor mortal em algumas partes do mundo.
Os meses de seca na África Austral, desencadeados pelo fenómeno meteorológico El Niño, tiveram um impacto devastador em mais de 27 milhões de pessoas.

La Niña é uma fase deste ciclo, caracterizada por temperaturas à superfície do mar mais baixas do que a média no centro-leste do Pacífico Equatorial. O extremo oposto desta oscilação da temperatura da superfície do mar, o El Niño, caracteriza-se por águas superficiais mais quentes do que a média.

O ENSO é um fenômeno sazonal, o que significa que dura vários meses seguidos, provocando alterações atmosféricas que têm impacto nos padrões meteorológicos em todo o mundo.

O fenómeno pode alterar as temperaturas globais, bem como os padrões de chuva ou neve, geralmente de formas relativamente previsíveis. La Niña tende a diminuir as temperaturas globais, provocando um tempo mais seco no Sul e no oeste das Américas. Na Indonésia, no norte da Austrália e no sul de África, o clima é mais úmido.

Normalmente, também provoca mais furacões no Atlântico, mas os meteorologistas preveem que esta fase se dissipe até ao verão, altura em que começa o pior da estação.

Chuva intensa pode atingir inúmeras localidades

O que significa La Niña para o clima da Europa?

Lowinski diz que o maior sinal de La Niña na Europa pode ser encontrado durante o inverno. Isto deve-se a uma coisa chamada mecanismo de tele conexão, padrões meteorológicos de grande escala noutras partes do mundo que interagem com os mais próximos de casa.

Estão a ser monitorizadas duas áreas diferentes no Pacífico: o Pacífico Central e o Pacífico Oriental. É importante distinguir entre as duas porque o que está a acontecer nestas duas bacias tem impactos diferentes no nosso clima.

Se anomalia de frio mais forte durante durante o La Niña ocorrer na região do Pacífico Oriental, a região do Atlântico Norte e da Europa Ocidental tende a registar tempestades ou sistemas de baixa pressão mais fracos e mais bloqueios de máximos, o que conduz frequentemente a condições mais secas e, por vezes, mais frias", afirma.

"No entanto, uma anomalia de frio na região do Pacífico Central tende a resultar num padrão que se assemelha ao chamado padrão positivo da Oscilação do Atlântico Norte (NAO), com uma corrente de jato mais forte e mais atividade de tempestade no Atlântico próximo e na Europa Ocidental, resultando em condições mais amenas, mais húmidas e mais ventosas", adianta.

É isso que acontece em teoria, esclarece Lowinski, mas há outros fatores importantes que podem afetar o clima europeu, como a NAO, os ventos na estratosfera perto do equador e até a convecção tropical no Oceano Índico.

La Niña esfria a cidade de Brusque/SC em pleno verão

Além disso, as previsões atuais sugerem um regresso às condições neutras antes do verão de 2025, pelo que, desta vez, não haverá fortes tendências. (msn)

quarta-feira, 5 de março de 2025

Cientistas estimam o fim da biosfera na Terra

Estudo revela como o aquecimento do Sol e a redução do dióxido de carbono afetarão a biosfera terrestre, projetando o futuro das plantas, animais e micróbios no planeta.

Cientistas estimam que a biosfera da Terra pode chegar ao fim em 1,6 bilhão de anos. A previsão é baseada no aquecimento do Sol e na redução do dióxido de carbono na atmosfera.

O Sol se torna mais brilhante com o passar do tempo, o que aumenta o aquecimento solar.

O aquecimento solar intensifica o intemperismo das rochas, acelerando a remoção de dióxido de carbono da atmosfera.

A redução do dióxido de carbono na atmosfera compromete os ecossistemas terrestres.

As plantas enfrentam condições extremas de temperatura e escassez de dióxido de carbono, o que leva à sua extinção.

A redução da vegetação leva a uma queda drástica nos níveis de oxigênio, o que afeta os animais.

Micro-organismos anaeróbicos podem sobreviver até que o Sol atinja um ponto em que as águas dos oceanos comecem a evaporar.

A biosfera é a camada da Terra que é habitada pelos seres vivos. Ela é fundamental para a existência de vida no planeta, pois é onde se obtêm alimentos, água potável, matérias-primas e energia.

Aquecimento solar reduzirá o CO2 atmosférico

Cientistas estimaram o tempo restante para a biosfera da Terra sustentar a vida como conhecemos. À medida que o Sol se torna mais brilhante com o passar dos bilhões de anos, ele provocará mudanças no ciclo do carbono, reduzindo os níveis de dióxido de carbono na atmosfera. Esse processo, essencial para as plantas, comprometerá os ecossistemas terrestres de forma irreversível.

A pesquisa, conduzida pelo geofísico RJ Graham e sua equipe da Universidade de Chicago, demonstrou que o aquecimento solar intensificará o intemperismo das rochas, acelerando a remoção de CO2 da atmosfera. Esse fenômeno, embora natural, levará as plantas a enfrentar condições extremas de temperatura e escassez de dióxido de carbono, culminando em sua extinção.

No entanto, os cientistas projetam que essas mudanças ocorrerão de forma gradual, atingindo um ponto crítico apenas daqui a 1,6 bilhão de anos. Essa previsão, que dobra as estimativas anteriores, não apenas redefine o futuro da vida na Terra, mas também sugere que planetas semelhantes podem ter mais tempo para desenvolver vida complexa.

Como o Sol e o intemperismo afetam a sobrevivência das plantas

Com o aumento de 10% na luminosidade do Sol a cada bilhão de anos, os efeitos sobre a Terra tornam-se mais intensos. O aquecimento gradativo acelera o intemperismo das rochas, que absorvem mais dióxido de carbono da atmosfera. Essa redução afeta diretamente as plantas, essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas, criando condições cada vez mais hostis para a vida terrestre.

Cientistas projetam que a biosfera da Terra pode sobreviver por até 1,86 bilhão de anos

Os pesquisadores destacam que a escassez de CO2 pode levar as plantas à extinção, seja por inanição no ponto de compensação de carbono, seja pelo superaquecimento ao atingir limites de temperatura. No entanto, a pesquisa liderada por RJ Graham indica que a relação entre temperatura e intemperismo é menos linear do que se acreditava, trazendo novas perspectivas sobre o futuro da biosfera.

Dados recentes sugerem que o intemperismo não depende fortemente do aumento de temperatura, o que pode desacelerar a redução de CO2. Em certos momentos, o processo pode até se reverter temporariamente, adiando a extinção das plantas por até 1,86 bilhão de anos. Essa descoberta amplia as estimativas de sobrevivência da biosfera e redefine o papel do clima na evolução da vida terrestre.

O impacto das mudanças climáticas na vegetação e na vida terrestre

Um modelo computacional mais avançado, que combine simulações climáticas globais e interações detalhadas da vegetação dinâmica, seria crucial para entender plenamente os efeitos dessas transformações. Ele permitiria quantificar com maior precisão o impacto do aquecimento solar na longevidade da biosfera e na capacidade do planeta de sustentar vida.

A vida na Terra é um equilíbrio entre clima e ciclos naturais

Nos cenários analisados por RJ Graham e sua equipe, as plantas C3 – que incluem a maior parte da vegetação terrestre – seriam as primeiras a desaparecer. Esse colapso deixaria apenas as plantas C4, como cana-de-açúcar e milho, sobrevivendo por mais 500 milhões de anos. Essa transição marcaria uma drástica redução na diversidade vegetal, com impactos profundos nos ecossistemas.

Portanto, com o colapso da vegetação, a vida animal também enfrentaria um declínio acentuado, causado pela falta de alimentos e pela redução extrema dos níveis de oxigênio. Contudo, alguns micróbios anaeróbicos poderiam resistir até que o Sol intensifique seu calor ao ponto de evaporar os oceanos, selando o destino da biosfera terrestre. (olhardigital)

segunda-feira, 3 de março de 2025

Crise climática já condena uma geração inteira a viver no calor extremo

A “Geração Overshoot” passará a vida suportando as condições adversas do aquecimento global.

A geração que fatalmente viverá suas vidas inteiras dentro deste período de calor sem precedentes na história da humanidade já tem nome: “Geração Overshoot”. Para tentar garantir o sucesso do Acordo de Paris, esta geração terá a árdua missão de remover da atmosfera uma enorme quantidade de GEE (Gases do Efeito Estufa).
Em um cenário otimista, se as metas do Acordo de Paris forem cumpridas, a crise climática terá sido resolvida ao final do século 21. Até lá, porém, a crise deve se agravar em meados deste século, quando muito provavelmente ocorrerá um período de “overshoot” (do inglês, ultrapassar). Durante esse período, a temperatura média do planeta deverá estar acima da meta proposta pelo Acordo.

Após este período de overshoot – que pode durar de uma a várias décadas -, a temperatura começará a cair até se estabilizar em 1,5°C na virada do século 21 para o século 22.

A geração que fatalmente viverá suas vidas inteiras dentro deste período de calor sem precedentes na história da humanidade já tem nome: “Geração Overshoot”.

Para tentar garantir o sucesso do Acordo de Paris, esta geração terá a árdua missão de remover da atmosfera uma enorme quantidade de GEE (Gases do Efeito Estufa). Ainda não é claro, porém, se tecnologias para remoção de GEE existirão na escala necessária para que essa geração possa evitar um colapso climático ao final deste século.

Nessa incerteza quanto ao futuro, o conflito entre os interesses da geração atual e os interesses da geração overshoot é um tema que merecerá mais discussão nos próximos anos e décadas.

Trajetórias possíveis

O Acordo de Paris, firmado em 2015, não estabeleceu um prazo concreto para o cumprimento das metas previstas no Artigo 2, que trata de um limite aceitável para o aquecimento global

A comunidade científica, de modo geral, entende que o Acordo de Paris estipula metas para serem cumpridas até o final do século 21. Existem duas razões para visarmos um marco temporal aparentemente tão distante como esse.

A primeira é uma restrição imposta pelo sistema climático do planeta: quanto mais GEE são emitidos (especialmente o CO2), mais a temperatura média global se eleva. Uma redução imediata das emissões de GEE, porém, não seria acompanhada de um declínio imediato da temperatura média global.

Mesmo que todos os países resolvessem eliminar hoje suas respectivas emissões, ainda assim a temperatura continuaria se elevando por várias décadas, até que a média global comece a regredir e se estabilizar em 1,5°C até o final do século 21.

A segunda razão é uma restrição imposta por princípios de justiça. O Acordo de Paris assumiu que os países mais pobres não poderiam reduzir imediatamente as suas respectivas emissões sem comprometer o próprio desenvolvimento e a perspectiva de erradicação da pobreza. Assim, o Acordo de Paris estipulou também, no Artigo 4, que cada país poderia continuar emitindo GEE até que suas respectivas emissões atinjam, o quanto antes, um pico.

Após o pico, as emissões devem ser então rapidamente reduzidas. A suposição de que a meta de longo prazo, estipulada no Artigo 2, poderia ser atingida bem antes do final do século 21, portanto, poderia se mostrar incompatível com a realidade do sistema climático do planeta e injusto para com os países em desenvolvimento.

O problema, porém, é que o Acordo de Paris não estipula nenhuma “trajetória” (pathway) específica para o cumprimento das metas de longo prazo. Existe uma infinidade de trajetórias compatíveis com essas metas.

O melhor dos mundos possíveis é aquele em que as metas do Acordo de Paris são cumpridas. No entanto, dependendo de escolhas que se fazem hoje, o melhor dos mundos possíveis pode também significar o pior dos mundos para a geração overshoot, que terá de viver sob extremos climáticos sem precedentes na história da civilização.
Conflito de gerações

Países como o Brasil têm uma prerrogativa legítima de querer alcançar o “nível de país desenvolvido”. Com base nisso, o governo atual, ao invés de defender a redução, defende a ampliação da exploração de petróleo. A Organização Nacional da Indústria do Petróleo chegou mesmo a sugerir que a exploração na Margem Equatorial brasileira seria de suma importância para as ‘futuras gerações’.

O problema, porém, é que quanto mais exploramos combustíveis fósseis na geração atual, maior será a elevação da temperatura para a geração overshoot – e por um período mais prolongado.

O que muita gente não percebe é que não importa se o petróleo a ser explorado na Margem Equatorial nos próximos anos será consumido no Brasil ou no exterior, as consequências para o clima são as mesmas, pois GEE não veem fronteiras nacionais.

A suposição de que a exploração na Margem Equatorial não envolverá riscos para o meio ambiente não leva em consideração que o principal risco não é o de um derramamento de óleo na região, mas o de um aumento da temperatura global incompatível com as metas do Acordo de Paris.

Uma coisa é “perder autossuficiência em petróleo em menos de 10 anos”, outra bem diferente é perder a Amazônia devido à “savanização” e “colapso de grande escala” da floresta. O mesmo se aplica ao Pantanal. A geração atual pode lucrar com a exploração na Margem Equatorial. A geração overshoot, porém, terá muito a perder.

Ter clareza sobre essa questão é fundamental para que possa haver um entendimento nacional e internacional sobre a trajetória a ser seguida no cumprimento do Acordo de Paris.

Existe atualmente a expectativa por uma transição energética justa. Mas a questão é saber: justa para quem? Para a geração atual, para a geração overshoot ou para as gerações que viverão no século 22? Beneficiar os interesses de uma geração em detrimento das outras vai contra a ideia de justiça Inter geracional.

Geração overshoot e mitigações retroativas

Seria talvez possível alegar que a geração overshoot não terá de enfrentar os mesmos desafios que a geração atual está tendo de enfrentar. Ela herdará da geração atual os benefícios da transição energética, mas sem que ela mesma tenha de arcar com os custos da transição.

Segundo essa alegação, em meados deste século as emissões globais já terão atingido um pico e estarão retrocedendo em ritmo acelerado, rumo à estabilização da temperatura em 1,5°C na virada para o século 22. A geração overshoot, assim, terá todos os benefícios da energia verde abundante, contanto que a geração atual tenha por enquanto a liberdade de emitir o que for necessário para financiar o desenvolvimento humano e tecnológico que beneficiará as próximas gerações.

Essa alegação, no entanto, desconsidera um dado crucial sobre a crise climática – um dado que tem sido inteiramente deixado de lado no debate público sobre políticas para lidarmos com a crise.

Num cenário bastante otimista, a geração overshoot não terá de passar pelo sacrifício de reduzir as suas próprias emissões, já que ela supostamente contará com novas matrizes energéticas que não envolvem a emissão e acúmulo de GEE. No entanto, ela terá ainda assim de mitigar retroativamente as emissões do passado – um passado que, obviamente, inclui o nosso presente. Denominamos esse processo de “mitigação retroativa”, ou seja: remover da atmosfera os GEE que não foram mitigados no passado.

Em um relatório de 2014, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) percebeu que a simples redução das emissões de GEE, por si só, já não permitiria mais evitarmos uma tragédia climática no futuro. Seria necessária também uma remoção substancial dos GEE já acumulados na atmosfera.

O IPCC alertou ainda para outro problema: não era claro se tecnologias para CCS (Captura e Armazenamento de Carbono), incluindo DAC (Captura Diretamente do Ar), poderiam ser implantadas em escala global a tempo de podermos evitar uma catástrofe.

Em 2018, um novo relatório foi ainda mais reticente quanto à expectativa de que tecnologias de CCS pudessem ser implantadas na escala necessária para garantir o cumprimento das metas do Acordo de Paris.

É importante não confundirmos aqui essas tecnologias com o tipo de tecnologia que, por exemplo, a Petrobrás emprega para remoção de CO2 durante a exploração de petróleo. Nesse caso, o CO2 é capturado e reinjetado no poço de petróleo, mas com o objetivo de explorar mais petróleo ainda. O que se ganha com a captura de CO2 é a capacidade de produzir ainda mais emissões de GEE, que a geração overshoot terá de remover da atmosfera depois.

Para agravar o problema, estudos recentes mostram que já praticamente não existem mais trajetórias para o cumprimento das metas do Acordo de Paris sem a utilização massiva de CCS.

Seria talvez possível alegar que já existe um mecanismo bastante eficiente para fins de captura e armazenamento de carbono: as florestas. No entanto, a suposição de que a preservação de florestas e o reflorestamento de áreas desmatadas poderiam servir de alternativa ao uso de tecnologias de CCS é bem pouco realista. A quantidade de GEE que deve ser removida da atmosfera para o cumprimento das metas do Acordo de Paris é superior à capacidade de absorção das florestas atualmente existentes, ou em vias de recuperação.

Não seria então mais racional investir no plantio de novas florestas ao invés de investir no desenvolvimento de tecnologias de CCS? Em princípio, sim, mas a criação de novas florestas em escala global demandaria uma quantidade monumental de terras e de água. Isso poderia comprometer a segurança hídrica e alimentar da geração overshoot.

Além disso, é necessário levar também em consideração o tempo necessário para o crescimento de novas florestas, e o risco de perdas resultantes de queimadas, que se tornaram mais frequentes devidos às mudanças climáticas. Nesse caso, as florestas deixam de absorver GEE e se tornam elas mesmas emissoras de GEE.
Recordes de calor: mapa mostra os dias mais quentes registrados nos cinco continentes que já foi ultrapassado.

Valor máximo já atingido pelos termômetros foi de 56,7ºC, no Vale da Morte, na Califórnia, em 1913.

O cenário em que a geração overshoot terá de viver não é nada animador, mas ele é ainda menos inóspito do que os cenários que as gerações subsequentes terão pela frente, caso as metas do Acordo de Paris não sejam cumpridas.

Compete à geração atual garantir que o período de overshoot seja tão breve quanto possível. Somente assim a geração overshoot poderá não apenas se adaptar a cenários climáticos sem precedentes, mas também legar às gerações subsequentes a esperança de cenários mais promissores. (veja.abril)

Derretimento de gelo revela floresta milenar “enterrada” em montanhas

 Pesquisadores encontraram mais de 30 árvores que teriam se formado há cerca de seis mil anos no Planalto Beartooth, em Wyoming, nos Estados Unidos.

Um subfóssil de pinheiro de casca branca revelado abaixo de uma mancha de gelo derretido na região de Yellowstone indica que uma floresta madura cresceu acima da linha atual das árvores há cerca de 6.000 anos, quando as temperaturas eram semelhantes às condições do século 20 e mais frias do que as atuais.

Cientistas da Universidade Estadual de Montana (MSU), nos Estados Unidos, descobriram uma floresta milenar de pinheiros de casca branca que estava “soterrada” por gelo alpino, nas Montanhas Rochosas, cordilheira localizada na América do Norte, entre as províncias de Colúmbia Britânica e Alberta, no Canadá, e os estados de Idaho, Montana, Wyoming, Colorado e Novo México, nos EUA.

Os pesquisadores encontraram mais de 30 árvores aproximadamente 3.100 metros acima do nível do mar enquanto realizavam uma pesquisa arqueológica no Planalto Beartooth, em Wyoming. Eles estimam que a floresta se formou há cerca de seis mil anos. A descoberta foi descrita em artigo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, no final de dezembro.

Segundo os pesquisadores, a floresta prosperou por séculos até que o clima começou a esfriar, há cerca de 5.500 anos, devido ao declínio da radiação solar no verão. As temperaturas mais frias deslocaram a linha de árvores para baixo e transformaram a paisagem da alta montanha de floresta para a tundra [bioma em que predomina o frio extremo] alpina que existe hoje.

Além disso, segundo David McWethy, um dos autores do estudo e professor associado do Departamento de Ciências da Terra na Faculdade de Letras e Ciências da MSU, a atividade vulcânica subsequente no Hemisfério Norte fez com que as temperaturas já frias da região caíssem. A floresta de pinheiros foi, então, rapidamente envolta de gelo.

No entanto, com o aquecimento da região nos últimos anos, a mancha de gelo começou a derreter, permitindo que os primeiros sinais da floresta milenar fossem descobertos.

“Esta é uma evidência bastante dramática de mudança de ecossistema devido ao aquecimento da temperatura”, afirma McWethy em comunicado. “É uma história incrível de quão dinâmicos esses sistemas são”.

Segundo os autores do artigo, as manchas de gelo, diferentemente das geleiras, não fluem e acumulam gelo de forma lenta e quase contínua, “permitindo a preservação de materiais depositados, como pólen, carvão e macrofósseis dentro de suas camadas congeladas”.

Para conseguir entender a história da floresta congelada, os pesquisadores precisaram estudar vários elementos do antigo ecossistema. Eles analisaram camadas de isótopos de água e materiais orgânicos em núcleos de gelo retirados de uma área e colheram seções transversais de madeira das árvores antigas para datação por rádio carbono.

Segundo Greg Pederson, paleoclimatologista do Northern Rocky Mountain Science Center do US Geological Survey e principal autor do artigo recém-publicado, o trabalho provou que a linha de árvores do planalto mudou para cima em resposta ao aquecimento regional e que a floresta prosperou por 500 anos enquanto as condições climáticas permaneceram moderadas e úmidas.

“O planalto parece ter sido o lugar perfeito para permitir que manchas de gelo se estabelecessem e persistissem por milhares de anos, registrando informações importantes sobre o clima passado, a atividade humana e as mudanças ambientais”, afirma Pederson.

Com isso, os resultados do estudo sugerem que as condições climáticas atuais, com predomínio de temperaturas mais altas, podem levar as árvores a se moverem para o alto, em áreas do planalto que agora são tundras.

“As temperaturas da estação de crescimento são o controle primário da elevação e latitude da linha das árvores”, afirma Pederson. “No entanto, em locais individuais da linha das árvores, outros fatores como umidade, vento, cobertura de neve e perturbação humana pode desempenhar um papel importante em ditar a estrutura da floresta e os limites de elevação”.

Portanto, os autores dizem ser impossível prever exatamente como serão as futuras florestas de linha de árvores no Planalto de Beartooth em termos de densidade, distribuição ou composição de espécies de árvores, o que variará dependendo de quanto aquecimento ocorrer. A linha de árvores provavelmente aumentará conforme o clima esquentar, segundo os pesquisadores, mas os níveis de precipitação determinarão a estrutura e a extensão da nova floresta.

Essas mudanças terão implicações significativas para o futuro ecossistema, de acordo com os autores. Eles afirmam que menos neve em altitudes elevadas poderia afetar o abastecimento de água para irrigação e geração de eletricidade. McWethy acrescentou que se as florestas começarem a se estabelecer na tundra, as condições de combustível podem mudar drasticamente, aumentando potencialmente o risco de incêndios florestais.

Gelo derretido revela floresta de 6 mil anos em montanha dos EUA

“É por isso que estudos de mudanças ecológicas passadas são mais do que peças interessantes de ciência”, diz Pederson. “Eles têm implicações muito maiores para os recursos dos quais todos dependemos”. (cnnbrasil)

sábado, 1 de março de 2025

Onda de calor em SP atinge diversas regiões com impactos extremos

Onda de calor em SP pode atingir diversas regiões com impactos extremos.

Meteorologistas alertam que esse fenômeno deve ocorrer nos próximos dias.
As temperaturas podem chegar a até 5°C a mais que o normal

O Brasil está se preparando para uma nova onda de calor, com temperaturas que podem ultrapassar os 35°C em diversas regiões, incluindo o estado de São Paulo.

Meteorologistas alertam que esse fenômeno, que deve ocorrer nos próximos dias, trará uma série de impactos extremos para a população e o meio ambiente.

Embora a data exata ainda não esteja definida, a previsão é que as temperaturas fiquem significativamente acima da média, podendo chegar a até 5°C a mais que o normal. Conheça os truques para deixar sua casa fresca no calor.

A onda de calor é alimentada, em grande parte, pelo fenômeno climático “El Niño”, que tem se tornado cada vez mais frequente. Esse fenômeno ocorre quando o aquecimento das águas do Pacífico interfere no padrão climático global, intensificando as ondas de calor.

O El Niño bloqueia os ventos frios que normalmente ajudam a dissipar o calor e concentra as altas temperaturas, tornando os efeitos mais severos, especialmente em regiões como o sudeste brasileiro.

São Paulo o impacto da onda de calor tende a ser ainda mais agudo devido à falta de áreas verdes e ao excesso de concreto na cidade. 

A densa urbanização cria o chamado "efeito ilha de calor", onde as construções e ruas pavimentadas absorvem e retêm o calor, dificultando a dissipação das altas temperaturas.

Com isso, a sensação térmica na cidade pode ser ainda mais intensa, afetando diretamente a qualidade de vida e o bem-estar da população.

As consequências para a saúde também são preocupantes. O aumento das temperaturas traz riscos como insolação e exaustão térmica, condições que podem afetar pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças e aqueles com doenças preexistentes.

É fundamental que a população esteja atenta aos sinais do corpo e busque se proteger durante esses períodos de calor extremo, adotando medidas como hidratação constante e evitando a exposição solar durante as horas mais quentes do dia.

Além dos impactos na saúde humana, o aumento das temperaturas também pode agravar problemas ambientais, como a escassez de água e o risco de incêndios florestais. O calor intenso prejudica a vegetação e pode tornar o solo mais propenso à secagem, o que compromete a fauna e flora locais.

Pessoas que vivem nas ruas de São Paulo não conseguem água e sofrem com calor extremo

Recordes de temperatura extremas previstas ameaçam a saúde de dezenas de milhares de pessoas, que não têm moradia. (diariodolitoral)

Super El Niño não para de ganhar força

Super El Niño não para de ganhar força e tem data atualizada para atingir pico máximo. O Super El Niño de 2026 deve atingir seu pico máximo ...