quarta-feira, 23 de abril de 2025

NASA alerta para a alta do nível do mar

NASA alerta para a alta inesperada do nível do mar e aponta mudança no padrão dos fatores que influenciam na subida das águas.

A taxa de elevação ficou acima da projeção inicial feita pela Agência Espacial norte-americana.
Mar destrói contenção de areia em Atafona, distrito da cidade de São João da Barra, Norte do estado do Rio.

Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA) anunciou em 13/03/2025 que o nível global do mar subiu de forma “inesperada” em 2024. De acordo com a instituição, a taxa de elevação foi de 0,59 centímetro, acima da projeção inicial, de 0,43 centímetro. Pesquisa também indicou mudança no padrão dos fatores que influenciam na alta do nível do mar. NASA (National Aeronautics and Space Administration).

Geralmente, ⅔ do aumento são atribuídos ao acréscimo de água proveniente do derretimento de geleiras terrestres. ⅓ vem da expansão térmica das águas oceânicas, quando um material (sólido, líquido ou gasoso) aumenta de tamanho por causa da alta da temperatura. A tendência se inverteu no ano passado. ⅔ do aumento do nível dos mares foram causados pela expansão térmica das águas.

Níveis do mar subiram de forma inesperada em 2024, aponta análise da NASA

Responsável pelos programas de oceanografia e pelo Observatório Integrado do Sistema Terrestre da NASA, em Washington, Nadya Vinogradova Shiffer afirmou que “2024 registrou as temperaturas do ar mais elevadas já documentadas e os oceanos do planeta responderam diretamente ao fenômeno, alcançando seus níveis mais altos em 3 décadas de monitoramento”.

Também em 2024, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que o aumento do nível das águas é mais preocupante no sul do Oceano Pacífico, onde as águas subiram 15 centímetros (cm) nos últimos 30 anos. A entidade também mencionou outras localidades que o problema pode ficar acima da média global - Xangai (China), Londres (Inglaterra), Buenos Aires (Argentina) e Sydney (Austrália).

Em 2024 outra instituição, a Climate Central, ONG norte-americana, apontou que cerca de 40% da costa brasileira enfrenta os efeitos do aumento do nível do mar. Números divulgados publicamente apontam que o litoral brasileiro tem 7,4 mil quilômetros de extensão.

Mar invadindo faixa de areia e calçada em Santos (SP)

Santos/SP 'reage' para evitar que parte da costa seja 'engolida' pelo mar como alerta estudo da ONU.

Prefeitura de Santos/SP está tomando medidas para que a população não seja afetada com o avanço do mar, que segundo o secretário de Meio Ambiente da cidade é inevitável. Prefeitura lista ações para reduzir os impactos das mudanças climáticas. (brasil247)

segunda-feira, 21 de abril de 2025

NASA identifica aumento do nível do mar

NASA identifica aumento inesperado do nível dos oceanos; entenda.
Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA), anunciou em 13/03/2025 que o nível global do mar apresentou uma elevação "inesperada" em 2024, sobretudo por causa do aquecimento das águas dos oceanos. Segundo a análise, a taxa de elevação foi de 0,59 centímetro, bem acima da projeção inicial, de 0,43 centímetro.

"Os dados coletados em 2024 demonstram um aumento além do que previam nossos modelos", explicou Josh Willis, pesquisador especializado em níveis oceânicos do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês) da NASA. "Embora existam variações anuais naturais, a tendência geral é inequívoca: os oceanos estão subindo e a velocidade desse processo está se acelerando progressivamente".

O levantamento da NASA indica também uma importante alteração no padrão dos fatores contribuintes para a elevação do nível do mar. Tradicionalmente, ⅔ do aumento são atribuídos ao acréscimo de água proveniente do derretimento de geleiras terrestres, enquanto que apenas ⅓ vem da expansão térmica das águas oceânicas.

Em 2024, no entanto, essa tendência se inverteu. ⅔ da elevação do nível dos mares foram causadas pela expansão térmica das águas.

"O ano de 2024 registrou as temperaturas do ar mais elevadas já documentadas e os oceanos do planeta responderam diretamente ao fenômeno, alcançando seus níveis mais altos em 3 décadas de monitoramento", afirmou Nadya Vinogradova Shiffer, responsável pelos programas de oceanografia e pelo Observatório Integrado do Sistema Terrestre da NASA, em Washington.

Desde 1993, quando teve início a medição via satélite de observação, a taxa anual de elevação do nível do mar mais do que dobrou. No acumulado desse período, o nível global dos oceanos subiu aproximadamente dez centímetros, conforme demonstra a sequência ininterrupta de dados.
“Embora existam variações anuais naturais, a tendência geral é inequívoca: os oceanos estão subindo e a velocidade desse processo está se acelerando progressivamente”.

Segundo relatório da ONU, o Brasil tem duas cidades entre as mais vulneráveis do mundo à elevação do nível das águas, ambas no Rio de Janeiro: a capital do Estado e Atafona, distrito de São João da Barra, no norte fluminense. Ilhotas do Pacífico estão entre as mais ameaçadas do mundo.

Atualmente, o monitoramento é realizado pelo Sentinel-6, lançado em 2020, o primeiro de 2 satélites idênticos que serão responsáveis pela continuidade da série histórica ao longo da próxima década.

A NASA explicou, em comunicado, que a transferência de calor para os oceanos, responsável pela expansão térmica da água, acontece por meio de diferentes mecanismos. Em condições normais, a água marinha se organiza em camadas, determinadas por temperatura e densidade, com as águas mais quentes sobre as camadas mais frias e densas.

Na maior parte dos oceanos, o calor da superfície das águas atravessa essas camadas muito lentamente até chegar às profundezas. No entanto, em regiões com ventos intensos, as camadas oceânicas podem sofrer agitação suficiente para promover uma mistura muito mais acelerada. Grandes correntes oceânicas provocam a inclinação dessas camadas, facilitando ainda mais o deslocamento das águas superficiais para regiões mais profundas.

Fenômeno El Niño também contribui para esse processo, uma vez que o deslocamento de grandes massas de água quente, normalmente localizadas na região oeste do Oceano Pacífico, para as regiões central e leste, resulta em movimentos verticais de calor através das camadas oceânicas.

Cidades como Los Angeles, São Francisco, San Rafael e Foster City estão entre as mais vulneráveis ao afundamento do solo e à elevação do nível do mar. A NASA identificou que essas áreas podem enfrentar inundações severas até 2050, com bairros inteiros ameaçados pelo avanço do oceano.

NASA revela novo mapa: cidades costeiras estão afundando e 40 milhões de pessoas podem ser impactadas pelo avanço do oceano!

O estudo reforça a crescente preocupação da comunidade científica com os impactos das mudanças climáticas, especialmente para as comunidades costeiras que já enfrentam episódios mais frequentes de inundações durante os períodos de maré alta, como é o caso da Flórida, nos EUA, e de regiões da Indonésia. (uol)

sábado, 19 de abril de 2025

Planejamento estratégico moderniza rede elétrica e enfrentar as mudanças climáticas

Planejamento estratégico de investimentos para modernizar a rede elétrica e enfrentar as mudanças climáticas.

Grandes empresas do setor elétrico têm buscado soluções mais robustas para superar a complexidade do planejamento e gerar mais valor.
O planejamento estratégico para modernizar a rede elétrica e enfrentar as mudanças climáticas é uma iniciativa que visa garantir a segurança da população e melhorar a infraestrutura do país.

O que é o Plano Clima?

Plano Clima é uma estratégia do Brasil para enfrentar as mudanças climáticas e orientar a população sobre como mitigar os seus efeitos.

Plano Clima foi construído com a participação da sociedade e deu origem à nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

A NDC brasileira prevê uma redução de pelo menos 59% das emissões líquidas de gases de efeito estufa do país em 2035.

Outras iniciativas para mitigar as mudanças climáticas:

Estimular o uso de biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel

Incentivar o uso de veículos elétricos

Expandir o acesso à energia limpa

Promover o transporte com zero e baixa emissão de carbono

Melhorar a qualidade do ar

Investir no reflorestamento

Reduzir o consumo de combustíveis fósseis e seus derivados, como o petróleo e a gasolina.

Planejamento estratégico de investimentos para modernizar a rede elétrica e enfrentar as mudanças climáticas

Grandes empresas do setor elétrico têm buscado soluções mais robustas para superar a complexidade do planejamento e gerar mais valor

Há muito tempo os efeitos das mudanças climáticas deixaram de ser eventos pontuais, em lugares distantes do planeta, passando a afetar nosso país de modo cada vez mais intenso e frequente. Ondas de calor, longos períodos de seca e temporais de grandes proporções têm causado impactos severos e provocado um debate em nossa sociedade sobre a resiliência de nosso sistema elétrico e o nível de preparo e proatividade das concessionárias em tais situações.

Como os investimentos na infraestrutura da rede elétrica são caros e de longo prazo, é imprescindível planejá-los de modo objetivo, equilibrando fatores técnicos, financeiros e de riscos associados aos ativos, incluindo resiliência climática, risco reputacional, riscos regulatórios e outros critérios que muitas vezes são avaliados de maneira superficial e qualitativa. Empresas que continuam utilizando processos e ferramentas de análise tradicionais, que muitas vezes limitam o escopo de análise ao retorno financeiro (VPL e TIR) e alguns poucos indicadores técnicos, podem não ter a real dimensão do nível de exposição de risco que estão sujeitas e obter desempenho modesto em indicadores que representam mais valor para a sociedade.

Na falta de metodologias e de ferramentas mais robustas, muitas empresas acabam dedicando muito tempo e recursos para analisar critérios operacionais, econômicos, regulatórios e estratégicos de seus potenciais investimentos e projetos, e frequentemente esbarram em problemas como:

• Falta de consenso sobre a definição de valor e subjetividade de critérios

• Tomada de decisões em silos e falta de alinhamento com os objetivos estratégicos

• Dificuldade em planejar investimentos de longo prazo sem visão clara do futuro

• Impossibilidade de simular múltiplos cenários da estratégia de investimentos e compreender suas implicações de longo prazo para o negócio

• Falta de agilidade em redefinir planos frente a situações inesperadas e momentos de crise

Estas limitações e ineficiências prejudicam a transparência e confiança nas decisões tomadas, e acabam corroendo o valor gerado por suas carteiras de investimentos e impactando negativamente no desempenho do negócio.

A Copperleaf é uma empresa canadense que faz parte do grupo IFS, líder do mercado de software corporativo e de gestão de ativos, segundo a Gartner, com operações em mais de 80 países. A Copperleaf se dedica há quase duas décadas a oferecer uma metodologia e uma solução corporativa de software — líder do mercado — para planejamento e otimização de investimentos de empresas intensivas em ativos, principalmente do setor elétrico. Esta solução apoia estas empresas a tomar complexas decisões de investimento com mais confiança, efetividade e agilidade, permitindo:

1. Alinhar projetos e programas de investimento com seus objetivos estratégicos;

2. Modelar e quantificar automaticamente todos os benefícios financeiros, operacionais, de mitigação de riscos e estratégicos dos investimentos numa escala econômica comum, consideradas as particularidades operacionais e regulatórias de cada empresa;

3. Aplicar otimização baseada em Inteligência Artificial (IA) para encontrar a combinação ideal de projetos, suas alternativas técnicas e momento de execução que maximiza os resultados esperados, respeitando o orçamento, metas e outras restrições aplicáveis;

4. Obter a visão global do impacto das carteiras de investimentos sobre os indicadores e objetivos estratégicos da empresa em diferentes cenários, com agilidade, e reotimizar automaticamente o plano de investimentos sempre que necessário.

Inúmeras empresas têm obtido benefícios tangíveis expressivos — com ganhos em média de 7 a 20% do valor total de suas carteiras — com a aplicação destas melhores práticas e das capacidades de otimização da solução da Copperleaf, além de redução considerável do tempo de planejamento, de mais de 50%.

Experiências no Brasil

Dentro deste contexto, foi realizado em 17/10/24, mais um episódio da websérie Energy TechTALKS, organizado pelo CanalEnergia em parceria com a Copperleaf, onde debateram Alex Vieira, consultor sênior da Copperleaf, e Marcelo Fernandes, engenheiro sênior da área de Gestão de Ativos da Copel, que compartilhou um pouco do histórico de como a empresa paranaense estruturou sua área de gestão de ativos e vem se posicionando na vanguarda no uso de ferramentas mais modernas para aprimorar seu processo de análise e decisão de investimentos em ativos, sendo uma das pioneiras no Brasil a ter implementado a solução da Copperleaf.

No debate, foram apresentados alguns desafios recorrentes na Copel relacionados ao planejamento de investimentos, incluindo:

• Dificuldade de se obter consenso sobre as prioridades de investimentos

• Falta de clareza sobre benefícios dos investimentos, principalmente aqueles de natureza intangível, e visibilidade limitada do impacto de longo prazo esperado nos indicadores da empresa

• Considerável tempo e esforço necessário para discussão orçamentária e priorização de obras e demais investimentos

Foram também apresentados resultados iniciais obtidos com a solução da Copperleaf, que trouxe um maior rigor e uma avaliação mais objetiva de projetos e iniciativas, bem como uma redução expressiva no tempo de avaliação e priorização de investimentos, que proporcionará mais agilidade para a Copel definir e revisar suas estratégias de investimentos.

A modernização da rede elétrica brasileira e a preparação para enfrentar as mudanças climáticas são desafios complexos que exigem soluções inovadoras e robustas. A adoção de metodologias avançadas e ferramentas de otimização, como as oferecidas pela Copperleaf, pode transformar o planejamento de investimentos, tornando-o mais eficiente, transparente e alinhado com os objetivos estratégicos das empresas. Com isso, é possível não apenas melhorar a resiliência do sistema elétrico, mas também gerar mais valor para a sociedade e garantir um futuro energético mais sustentável. (copperleaf)

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Governo de SP abriu CP sobre plano de adaptação e resiliência às mudanças climáticas

Consulta visa obter contribuições da sociedade na definição das ações que serão realizadas nos próximos anos.
O Governo de São Paulo abriu uma consulta pública sobre o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc) em 04/11/2024. A consulta foi encerrada no dia 20/12/2024.

Objetivos do Pearc

Enfrentar os impactos das mudanças climáticas no estado

Adaptar os ecossistemas, as cidades e as populações vulneráveis

Melhorar a capacidade de adaptação e resiliência climática do estado

Eixos temáticos do Pearc Biodiversidade, Saúde única, Segurança alimentar e nutricional, Segurança hídrica, Zona costeira.

Governo de SP abriu consulta pública sobre plano de adaptação e resiliência às mudanças climáticas

Plano possui cinco eixos temáticos: biodiversidade, saúde única, segurança alimentar e nutricional, segurança hídrica e zona costeira, um eixo transversal – justiça climática – e outro focado na infraestrutura.

A consulta pública foi até 20/12/2024

Governo de São Paulo fez consulta pública sobre o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc). Coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o documento destaca sete eixos para a atuação do Estado no enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas, divididos inicialmente em 49 ações e 216 subações.

Plano possui 5 eixos temáticos: biodiversidade, saúde única, segurança alimentar e nutricional, segurança hídrica e zona costeira. Além disso, há um eixo transversal – justiça climática – e outro estruturante, focado na infraestrutura.

Consulta pública foi até 20/12/24, visou obter as contribuições da sociedade na definição das ações que serão realizadas nos próximos anos. Os materiais estarão disponíveis no site da Semil.

Para estimular a participação da sociedade nesse processo, a interação foi feita de 3 formas. Uma delas foi a consulta virtual. Também houve reuniões nos formatos híbrido, presencial ou remoto, em fóruns já instituídos para a articulação de atores, grupos, órgãos públicos e organizações da sociedade civil, para ampliar as possibilidades de contribuição. Houve encontros presenciais com alguns grupos e comunidades em territórios vulnerabilizados ou com maior exposição aos impactos das mudanças climáticas, com objetivo de levantar as percepções sobre os impactos no dia a dia, ações em desenvolvimento ou a serem desenvolvidas para adaptação e resiliência.

Para avaliar os impactos das mudanças climáticas, os sete eixos de atuação do Pearc são:

• Zona costeira: avaliação dos impactos das mudanças climáticas na costa paulista e no oceano relacionados a variáveis geológicas, oceanográficas, climáticas e hidrometeorológicas (eventos extremos).

• Segurança hídrica: avaliação dos impactos da mudança do clima sobre a disponibilidade hídrica, tanto em relação à qualidade quanto à quantidade, para usos múltiplos.

• Biodiversidade: avaliação desses impactos no comprometimento de processos, funções e serviços ecossistêmicos, e da conservação de espécies.

• Saúde única: avaliação dos impactos sobre a saúde das pessoas, dos animais e dos ecossistemas.

• Segurança alimentar e nutricional: avaliação desses impactos na produção e qualidade de alimentos (agricultura familiar) e na capacidade dos cidadãos de acessá-los.

• Justiça climática: trabalha as dimensões de raça, gênero, idade, renda e grupos étnicos na definição e seleção das ações e subações de adaptação e resiliência climática para atender às populações vulnerabilizadas.

• Infraestrutura: avaliação dos impactos da existência ou da ausência das infraestruturas de logística, energia, saneamento, saúde e habitação nos demais eixos, sob a ótica das mudanças climáticas.

O plano tem horizonte de atuação de 10 anos e sua implementação será dividida em ciclos de 3 anos, com foco na atuação estadual, com base nas iniciativas em curso ou já planejadas.

Para produzir o documento, as equipes partiram da identificação das principais ameaças climáticas e dos problemas causados por elas para propor ações e subações que buscam melhorar a capacidade de adaptação e resiliência climática no estado de São Paulo. Foram trabalhados, entre outros, os efeitos da elevação da temperatura do ar e do oceano, da alteração na frequência, duração e intensidade das chuvas, das ressacas, das estiagens e secas intensas, das ondas de calor e dos ventos intensos. Cada sub ação proposta foi detalhada em um ou mais projetos a serem desenvolvidos pelas diversas Secretarias de Estado, com o apoio do Comitê Gestor da Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC).

Elaboração do Pearc envolveu diretamente mais de 80 pessoas, entre técnicos estaduais e pesquisadores, além de contar com o apoio de entidades da sociedade civil na realização de seminário para definição das diretrizes de justiça climática para o plano.  Esse processo contou também com o apoio da Agência de Cooperação Técnica Alemã (Giz), por meio do Programa ProAdapta e de seus diversos consultores. O plano será apresentado pelo Governo de São Paulo na COP29, a Conferência do Clima da ONU, que ocorreu em Baku, no Azerbaijão. (agenciasp.sp.gov.br)

terça-feira, 15 de abril de 2025

Veja o que esperar do clima para o Brasil em 2025

O g1 ouviu especialistas e traçou um panorama climático para o país. A expectativa é de temperaturas acima da média, pouca chuva e prevalência da seca.
O ano de 2024 foi marcado por extremos climáticos. O país enfrentou meses sob uma densa camada de fumaça causada por incêndios na vegetação. Além disso, viveu a pior seca de sua história recente, que ainda persiste, enquanto o Rio Grande do Sul foi devastado por chuvas intensas. Além disso, o ano terminou como o mais quente já registrado. Diante desse cenário, o que esperar de 2025?

- A previsão global do Met Office, o centro nacional de meteorologia britânico e uma referência mundial, sugere que 2025 será um dos três anos mais quentes já registrados, atrás apenas de 2024 e 2023. Ou seja, embora o calor deva ser um pouco menos intenso, ele ainda será extremo.

Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do programa europeu Copernicus e do Met Office indicam que, em 2025, podemos esperar:

• Temperaturas ainda acima da média no país;

• Mudanças nos padrões de chuva, com índices abaixo da média;

• Oceanos ainda aquecidos;

• Uma seca persistente, agravada por mais calor e menos chuva.

- As previsões são feitas com base em modelos climáticos que permitem observar com maior clareza os dados para períodos de até três meses. A análise do ano como um todo é baseada em tendências. Apesar disso, os especialistas permanecem pessimistas quanto a mudanças significativas que possam reverter esse cenário.

Mais calor em todo o país

O ano de 2024 foi marcado por recordes de calor. De acordo com o serviço de mudança climática do observatório Copernicus, foi o primeiro ano na história a registrar um planeta 1,5°C mais quente em relação à média pré-industrial.

Segundo os especialistas, a principal causa do calor foi a concentração crescente de gases de efeito estufa na atmosfera, que intensificam o aquecimento global. Uma análise do Cemaden mostra que, desde os anos 1970, o Hemisfério Sul, onde está o Brasil, vem enfrentando um aumento gradual nas temperaturas. Ou seja, ao longo dos anos, o país tem ficado cada vez mais quente.

Temperaturas acima da média estão aumentando desde 70

Somado a isso, houve ainda uma contribuição extra: o El Niño. Esse fenômeno aqueceu os oceanos e foi registrado de forma intensa, o que aumentou ainda mais a temperatura no mundo.

- Para 2025, ainda sem previsão de El Niño, a expectativa é de que o ano seja menos quente que 2024. No entanto, isso não significa uma trégua no calor.

A análise do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mostra que, ao menos nos primeiros três meses do ano, o calor deve permanecer acima da média em todo o país.

Brasil tem previsão de temperaturas acima da média em 2025

- Segundo o Instituto Nacional de Previsão do Tempo (Inmet) os piores cenários podem ocorrer nas regiões Norte e Nordeste, que devem ficar 0,5°C e 1°C acima da média, respectivamente.

2025 pode ter eventos extremos

O ano passado foi marcado por catástrofes, dentro e fora do país, causadas por chuvas intensas. No Rio Grande do Sul, cidades foram completamente devastadas, com mais de uma centena de mortos. Os temporais também resultaram em mortes nos Estados Unidos, na Espanha e na África.

Segundo especialistas, esses desastres têm uma causa em comum: o aquecimento dos oceanos. Para Regina Rodrigues, referência em pesquisas sobre o Atlântico e suas ondas de calor, que atua na Organização Meteorológica Mundial (OMM), o cenário atual dos oceanos, ainda com temperaturas acima da média, pode fazer com que eventos extremos continuem ao longo de 2025.

- Por que isso acontece? Os oceanos funcionam como “bolsões” capturando o calor, minimizando os impactos na Terra. Com as águas mais quentes, elas evaporam mais rapidamente, concentrando mais umidade na atmosfera. Isso resulta em chuvas mais intensas e de curta duração.

Regina explica que ainda não é possível prever quais regiões serão mais afetadas ou como esses eventos podem ocorrer, mas os desastres de 2024, como o caso do Rio Grande do Sul, demonstram a gravidade do impacto.

Vamos continuar vendo eventos extremos porque as águas continuam quentes. Um ponto complexo é que está ficando cada vez mais difícil prever a intensidade desses desastres, porque o padrão do clima está mudando muito rapidamente. É um risco cada vez maior para as cidades.

— Regina Rodrigues, referência em pesquisas sobre o Atlântico e suas ondas de calor.

A dificuldade em prever desastres é um ponto levantado por especialistas. Os modelos são feitos com base no histórico do clima ao longo de dezenas de anos. No entanto, o que estamos vendo acontecer é uma mudança acelerada no padrão, o que faz com que as leituras não sejam mais tão exatas.

Representantes do Cemaden, órgão responsável pelo monitoramento de desastres no país, explicam que no caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, foi possível prever uma chuva intensa e um alerta foi feito, mas nenhum deles tinha a dimensão do que, de fato, aconteceu.

Inmet: 2024 foi o ano mais quente já registrado no Brasil

Estamos vivendo um aquecimento acelerado e os eventos extremos não têm mais volta. É difícil de prever o quão destrutivo eles podem ser, pois os impactos das mudanças climáticas não são lineares e há muitas vulnerabilidades. O ano de 2025 vai ser de extremos também.

— Karina Bruno Lima, doutoranda em Climatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e divulgadora científica sobre mudanças climáticas.

Chuva abaixo da média

A expectativa era a chegada de uma La Niña ainda em 2024. O fenômeno reduz a temperatura do oceano, o que traz mais chuvas, principalmente para o Norte do país. Com isso, esperava-se uma trégua na estiagem.

No entanto, desde setembro, o fenômeno vem atrasando e perdendo força. Segundo os órgãos internacionais de meteorologia, a La Niña deve ocorrer em janeiro. O Oceano Pacífico, onde o fenômeno se configura, já apresenta baixas temperaturas. Porém, a La Niña será fraca e breve, com duração estimada de três meses.

Com esse cenário, os meteorologistas explicam que, diferentemente do que era esperado, ela não deve fortalecer as chuvas.

“Infelizmente, da forma como se configurou essa La Niña, ela tem pouco impacto nas chuvas e não vai trazer o alívio que esperávamos”, explica Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Segundo as análises do Inmet e do Cptec, as chuvas devem ficar abaixo da média no país, pelo menos nesses primeiros três meses do ano.

Dados mostram tendência de chuva abaixo da média, pelo menos no primeiro trimestre

Seca deve se estender

A seca que afeta o Brasil já dura 18 meses. Iniciada em junho de 2023, a estiagem não deu trégua e continua impactando centenas de cidades no país. Esse cenário se reflete em rios secos, comunidades isoladas e perdas bilionárias para a economia.

Com o cenário previsto para 2025, especialmente no primeiro trimestre, com chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, a estiagem deve persistir. Segundo Luis Marcelo Zeri, pesquisador que monitora a seca no país e fornece dados ao governo federal, ainda não há previsão de se e quando ela deve terminar em 2025.

- Pesquisador aponta que há regiões em que ela está perdendo força, por causa das chuvas de verão. No entanto, isso não é o bastante para reverter o cenário.

A projeção é que a seca persista, principalmente, na região central do Brasil. Não estamos vendo chuvas acima da média por meses para poder nos recuperarmos. O déficit que o país tinha era muito alto.

— Luis Marcelo Zeri, pesquisador que atua no monitoramento da seca no Cemaden.

Para o meteorologista Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, os dados reforçam que o país não deve ter um respiro tão próximo.

“A gente tem uma indicação de que a chuva deve ficar acima da média na região da Amazônia, mas não o suficiente. Está abaixo do que esperávamos e que poderia trazer algum respiro depois de uma seca tão intensa. Seria preciso chuvas em níveis maiores para vermos uma melhora no cenário”, explica o meteorologista Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Retrospectiva 2025 em Roraima: seca histórica, garimpo ilegal, desvios e mais

O que fazer com este cenário?

Os especialistas são uníssonos em dizer que o que se desenha no Brasil é reflexo das mudanças climáticas, com o aquecimento global. Com isso, a única solução é rever as metas para minimizar emissões e reforçar os esforços para a transição energética.

2025 o país recebe a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontece em Belém/PA. Depois de 2 edições em países petroleiros, a expectativa é que haja algum avanço, principalmente nas metas de transição, para minimizar as emissões.

Para além disso, reforçam que é preciso cobrar dos governos a adaptação das cidades para se tornarem resilientes aos desastres. Isso inclui medidas que podem proteger a população no caso de um evento extremo de chuva ou seca, por exemplo.

- No Rio Grande do Sul, apenas metade das cidades afetadas tinha estrutura de Defesa Civil, por exemplo. As comportas que deveriam proteger a cidade falharam.

“Com o cenário que temos, sabemos que os eventos extremos vão acontecer. O que precisamos é estar preparados para que, quando eles chegarem, as cidades estarem preparadas e conseguirem proteger as pessoas”, explica Karina Bruno Lima.

2025 será marcado por eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, inundações, deslizamentos de terra e um inverno quente.

Chuvas intensas

A segunda metade de janeiro/2025 teve chuvas intensas em todo o Brasil, com risco de inundações e deslizamentos de terra.

1° trimestre/2025, são esperadas chuvas mais concentradas nas Regiões Norte, Centro-Oeste e áreas do norte e oeste da Região Nordeste.

Inverno quente

Inverno de 2025 pode ser mais quente que de 2024, com temperaturas acima da média especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Aquecimento global

O aquecimento dos oceanos é um dos fatores que contribuem para a expectativa de eventos climáticos extremos em 2025.

O ano de 2024 foi o mais quente da história no Brasil, marcado por seca, queimadas e chuvas devastadoras no sul.

Janeiro/2025 foi o mais quente já registrado na história.

Ações climáticas

Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano, em junho/2025, promoverá ações urgentes para a conservação do ambiente costeiro-marinho.

É importante reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global.

Relatório sobre a Lacuna de Emissões do PNUMA conclui que as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) aumentaram 1,2% de 2021 a 2022, atingindo um novo recorde de 57,4 Gigatoneladas de Dióxido de Carbono Equivalente (GtCO2e).

Promessas atuais do Acordo de Paris levam a aquecimento de até 2,9°C. (g1)

domingo, 13 de abril de 2025

Condições climáticas extremas podem apoiar transição energética

Condições climáticas extremas podem apoiar transição energética, aponta agência climática da ONU.

Essa é uma forma de aproveitar as condições climáticas extremas para a geração de eletricidade. Nesse sentido, um clima mais seco pode gerar mais energia solar, impactos do fenômeno El Niño podem impulsionar a energia eólica e padrões excepcionais de chuva podem ditar os rumos da produção de energia hidrelétrica.
Relatório revela que climas secos, ventos fortes e chuvas intensas podem ser aproveitados para aumento de geração de energia solar, eólica e hidrelétrica. A análise de 2023 mostra que estratégia pode antecipar picos sazonais de demanda e fortalecer adaptação de infraestrutura elétrica.

Em novo relatório divulgado esta semana pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), vinculada a Organização das Nações Unidas (ONU) em conjunto com a Agência Internacional de Energia Renovável e o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus aponta que a transição para fontes renováveis de energia está cada vez mais se baseando em informações meteorológicas como forma de aproveitar as condições climáticas extremas para a geração de eletricidade.

Um clima mais seco pode gerar mais energia solar, impactos do fenômeno El Niño podem impulsionar a energia eólica e padrões excepcionais de chuva podem ditar os rumos da produção de energia hidrelétrica.

Segundo a agência, a integração de previsões climáticas no planejamento energético resulta em geração mais confiável de energia, ajuda a antecipar picos sazonais de demanda e fortalecer adaptação de infraestrutura.

O estudo conclui que esse tipo de estratégia é essencial para que o mundo atinja as metas de triplicar a capacidade de energia renovável e dobre a eficiência energética até 2030.

O relatório analisa 2023, um ano que viu a transição de um fenômeno La Niña para um El Niño afetando as principais variáveis climáticas para o setor de energia, como velocidade do vento, radiação solar, precipitação e temperatura. Aquele foi o ano mais quente já registrado, até que o recorde foi quebrado novamente em 2024.

Impulsionada por condições mais secas e quentes do El Niño, a América do Sul experimentou um aumento de 3,9% no fator de capacidade solar fotovoltaica, levando a uma geração adicional estimada de 3,5 TWh/ano da capacidade instalada de 50 GW da região.

Da mesma forma, o Leste Asiático viu uma anomalia positiva de 4,1% na energia eólica, gerando cerca de 45 TWh de seus 420 GW de capacidade instalada em terra, com 95% disso observado na China.

Os autores do estudo ressaltam que portfólios diversificados, combinando energia eólica, solar e hidrelétrica com tecnologias emergentes, como a geotérmica, são essenciais para mitigar o impacto da variabilidade climática.

Mudanças climáticas: não dá mais para esperar

Já temos pleno conhecimento do tamanho da emergência climática. Devemos focar agora nas lacunas de implementação de providências urgentes, em termos de financiamento, tecnologia e capacidade de realização das ações na velocidade necessária. (pv-magazine-brasil)

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Antártica está derretendo e o Brasil já sofre impactos

Mega expedição confirma: a Antártica está derretendo e o Brasil já sofre impactos.

Pesquisadores querem entender não apenas o ritmo do derretimento das geleiras, mas também se elas estão deslizando mais rapidamente em direção ao oceano.
• Equipe liderada pelo Brasil passou 70 dias viajando em torno da Antártica para entender o ritmo do derretimento das geleiras e ver como a região está reagindo ao aquecimento global.

• Pesquisadores se surpreenderam com as mudanças na paisagem, e alertam que o clima do Brasil será cada vez mais afetado pelo aquecimento da Antártica.

• O Rio Grande do Sul, que em 2024 sofreu a maior tragédia climática da história, deve se preparar para que algo parecido se repita dentro dos próximos 30 anos.

Onde antes só se via o branco da neve e do gelo agora aparece o verde dos musgos e das gramíneas. Em busca de lugares mais frios, peixes e pinguins migram para o sul. E até mesmo a chuva, até pouco tempo impensável nesta parte do planeta, agora tem dado as caras. Estes são apenas alguns dos sinais de que a temperatura está aumentando em partes da Antártica, e rapidamente.

“O que mais me chama atenção é o recuo das geleiras, e na frente delas cada vez menos neve, com o solo sendo ocupado por novos organismos”, diz Jefferson Cardia Simões, do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Isso chama bastante a atenção, porque são mudanças que tu vês a olho nu”.

Professor de Geografia Polar, Simões visita a Antártica periodicamente desde 1990, em um total de 27 expedições científicas. A última, coordenada por ele, ocorreu entre novembro/2024 e janeiro/2025, e já é conhecida como a maior circum-navegação polar já realizada. A equipe formada por 61 pesquisadores de 7 países percorreu 29 mil quilômetros, o equivalente a mais de 5 vezes a distância entre o Oiapoque, no Amapá, e o Chuí, no Rio Grande do Sul.

A equipe passou 70 dias a bordo de um quebra-gelo russo, embarcação que consegue passar com segurança no meio do mar congelado.

Viagem de 70 dias foi a bordo de um quebra-gelo russo, navio que consegue transpor o mar congelado e chegar pertinho das geleiras que cercam o continente. “Não temos quebra-gelo no Brasil e existem poucos disponíveis no planeta para a ciência”, diz Francisco Eliseu Aquino, professor do departamento de Geografia da UFRGS. “Com esta embarcação conseguimos cruzar por áreas de gelo marinho de até 1,5 metro de espessura e nos aproximar das maiores geleiras do mundo”, explica o pesquisador, que coordenou a equipe de climatologistas durante a expedição.

O grupo fez uma volta completa ao redor da Antártica, continente que tem 1,6 vezes o tamanho do Brasil, mantendo-se o mais perto das geleiras possível. Os pesquisadores colheram amostras de neve, gelo, plantas e microrganismos, cuja análise deve demorar pelo menos um ano para ficar pronta.

A expedição fez uma volta completa em torno da Antártica, mantendo-se o mais próximo possível das geleiras.

Apenas pela observação visual, no entanto, é possível concluir que as mudanças climáticas já têm efeitos devastadores na região mais ao norte da Antártica, onde fica, por exemplo, a base brasileira, a Estação Antártica Comandante Ferraz. Os impactos, dizem os pesquisadores, são sentidos em todo o hemisfério sul.

“A circulação oceânica e atmosférica existe por causa da diferença de temperatura entre os trópicos e regiões polares”, diz Simões. “Os processos que afetam as regiões polares afetam os trópicos e vice-versa. O sistema é único e indivisível”.

O aquecimento global aumenta essa diferença de temperatura entre os polos e os trópicos, intensificando as correntes atmosféricas. No Brasil, os efeitos são períodos mais quentes e secos no centro e norte do país — que no ano passado enfrentou uma estiagem histórica, com rios virando extensos bancos de areia na Amazônia — e mais chuva na região sul. “A Antártica tem papel dominante na quantidade e intensidade de ciclones e frentes frias no Rio Grande do Sul”, afirma Aquino.

Os cientistas coletaram amostras de gelo, neve, plantas e microrganismos para entender como a Antártica está reagindo às mudanças climáticas.

Em 2023, o Rio Grande do Sul já havia sofrido 2 grandes enxurradas, em setembro e novembro. Apenas 6 meses depois, em maio de 2024, quantidades de chuva sem precedentes provocaram a maior tragédia climática do estado, com mais de 180 mortes e 700 mil desabrigados. Na capital dos gaúchos, Porto Alegre, partes da cidade ficaram mais de um mês debaixo da água.

“Esse cenário de degradação ambiental está criando as condições para que a polarização frio e quente seja mais intensa”, diz Aquino. “Por isso, podemos dizer que esse fenômeno vai ser repetir dentro de uma janela de trinta anos”.

Para além dos efeitos no clima, o aumento da temperatura na Antártica contribui para o aumento do nível do mar, que coloca em risco cidades costeiras do Brasil e do resto do mundo. Na Austrália, por exemplo, o avanço das águas já levou o governo a elaborar um plano de realocação da população de um arquipélago inteiro.

Um dos objetivos da equipe liderada pelo Brasil era coletar dados sobre a velocidade do derretimento destas geleiras, que têm em torno de 500 metros de espessura. Mais do que isso, eles querem entender se estas enormes massas de gelo estão deslizando mais rapidamente em direção ao oceano.

Segundo Aquino, isso pode acontecer pelo derretimento da parte da frente das geleiras, que fica junto ao mar. Sem a antiga contenção, o gelo localizado no continente acaba deslizando para dentro do oceano. “A geleira vai fluir mais rápido, vai derreter no mar e o nível do mar vai subir”, diz o pesquisador
Mudanças no clima da Antártica afetam diretamente a formação de frentes frias e ciclones no Rio Grande do Sul, dizem os pesquisadores. Outro agravante é o aumento da temperatura do oceano. Em alguns pontos, a água mais quente acaba entrando por debaixo da plataforma de gelo e cria um manto de água que funciona como um lubrificante, fazendo a geleira deslizar mais rápido em direção ao mar. “Com isso, dentro de 200 a 300 anos o nível do mar poderia aumentar entre 2m e 3m”, diz Simões.

O polo sul abriga 90% do gelo do planeta, e o oceano que cerca a Antártica é o que está aquecendo mais rapidamente, atrás apenas do Ártico. “A maior onda de calor recente no planeta Terra foi registrada na Antártica em 2022″, diz Aquino. “Foi tão surpreendente que a gente se assustou. A temperatura ficou 40°C acima do esperado para aquela época”.

Pesquisadores também detectaram a presença de microplásticos e fuligem em amostras de neve da Antártica. Uma das hipóteses é que o material tenha origem nas queimadas da Amazônia e tenha sido trazido até o polo sul por um rio atmosférico, mesmo fenômeno que deixou diversas cidades do Brasil cobertas de fumaça em 2024.

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Cobertura de gelo marinho no hemisfério sul, atingiu o menor nível desde que começaram as medições por satélite em 1979. (brasil.mongabay)

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