quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Quem tem medo da agricultura ecológica?

A agroecologia é um sistema de produção agrícola alternativa que busca a sustentabilidade da agricultura familiar resgatando práticas que permitam ao agricultor pobre produzir sem depender de insumos industriais como agrotóxicos, por exemplo. – Charge por Latuff, no Humor Político.
A agricultura ecológica deixa alguns bem nervosos. É o que se constata, ultimamente, na multiplicação de artigos, entrevistas, livros que tem apenas o objetivo de desprestigiar seu trabalho, desinformar sobre sua prática e desacreditar seus princípios. Trata-se de discursos cheios de falsidades que, vestidos de uma suposta independência científica para se legitimar, contam-nos as “maldades” de um modelo de agricultura e alimentação que ganha progressivamente mais apoios. No entanto, por que tanto esforço para desautorizar esta prática? Quem tem medo da agricultura ecológica?
Quando uma alternativa é bem aceita socialmente, são duas as estratégias para neutralizá-la: a cooptação e a estigmatização. A agricultura ecológica é torpedeada por ambas. Por um lado, cada vez são mais as grandes empresas e os supermercados que produzem e comercializam estes produtos para atender a um florescente nicho de mercado e “limpar” a imagem, mesmo que suas práticas não tenham nada a ver com o que este modelo defende. Seu objetivo é cooptar, comprar, submeter e integrar esta alternativa ao modelo agroindustrial dominante, esvaziando-a de conteúdo real. Por outro lado, a estratégia do “medo” é estigmatizar, mentir e desinformar sobre a mesma, confundir a opinião pública, para assim desautorizar este modelo alternativo.
E se alguém levanta a voz em sua defesa? Sofre insultos e desqualificações. Se um cientista se posiciona contra a agricultura industrial e transgênica, é tachado de “ideológico”. Como se defender este tipo de agricultura não respondesse a uma determinada ideologia, a daqueles que se situam na órbita das multinacionais agroalimentares e biotecnológicas e que muitas vezes cobram das mesmas. Se um “não cientista” a critica, então, seu problema é que não sabe, que é um ignorante. De acordo com estes, parece que só os cientistas e, em particular, aqueles que defendem seus próprios postulados, podem ter uma posição válida a respeito. Uma atitude muito respeitosa com a diferença. Outra prática habitual é qualificar quem critica de “magufo”, sinônimo depreciativo, segundo a gíria desta “elite científica”, de anticientífico. Vê-se que defender uma ciência a serviço do público e do coletivo implica em ser contra ela. Uma argumentação de loucos.
Vejamos, na sequência, algumas das afirmações mais repetidas para desqualificar e desinformar sobre a agricultura ecológica, e que ampliaremos em artigos subsequentes. Porque há quem acredita que repetir mentiras serve para construir uma “verdade”. Contra a calúnia, dados e informação.
O perigo dos agrotóxicos
“A agricultura ecológica não é mais saudável nem melhor para o meio ambiente”, dizem. Querem nos fazer acreditar que uma agricultura industrial, intensiva, que usa sistematicamente produtos químicos de síntese em sua produção, é igual a uma agricultura ecológica que prescinde dos mesmos. Incrível. Se as práticas agroecológicas emergem é precisamente como resposta a um modelo de agricultura que contamina a terra e os nossos corpos.
Há anos, a retirada e proibição de fitossanitários, agrotóxicos, utilizados na agricultura convencional foram uma constante, após se demonstrar seu impacto negativo sobre a saúde do campesinato e dos consumidores e no meio ambiente. Talvez o caso mais conhecido seja o do DDT, um inseticida utilizado para o controle de pragas desde os anos 1940 e que, devido à sua alta toxicidade ambiental e humana e pouca ou nula biodegradabiidade, foi proibido em muitos países. Em 1972, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos vetou seu uso ao considerá-lo um “potencial cancerígeno para as pessoas”. Outras agências internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, entre outras, denunciaram também estes efeitos. Mesmo assim, quem mantém a afirmação inicial – aqui rebatida – mostra-se ainda, e mesmo que possa surpreender, partidário do DDT e o segue defendendo, apesar de todas as evidências.
No entanto, o DDT não é um caso isolado. Cada ano, produtos químicos de síntese utilizados na agricultura industrial são retirados do mercado pela Comissão Europeia. Sem ir mais longe, em 2012, o Tribunal de Grande Instância de Lyon concluiu que a intoxicação do camponês Paul François e as consequentes sequelas em sua saúde foram devidas ao uso e manipulação do herbicida Lasso, da Monsanto, que não informava nem sobre a correta utilização do produto nem sobre seus riscos sanitários. A própria Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) sentenciava no artigo Control of water pollution from agriculture, em 1996, que o uso de pesticidas na agricultura tinha efeitos negativos em vários níveis: 1) Nos sistemas aquáticos, já que sua alta toxicidade e a persistência de químicos degradava as águas. 2) Na saúde humana, pois a inalação, a ingestão e o contato com a pele destes produtos químicos incidia no número de casos de câncer, deformidades congênitas, deficiências no sistema imunológico, mortalidade pulmonar. 3) No meio ambiente, com a morte de organismos, geração de cânceres, tumores e lesões em animais, através da inibição reprodutiva, e a disrupção endócrina, entre outros. Que fitossanitários serão proibidos amanhã? Impossível saber. Até quando permitiremos continuar sendo cobaias?
Brincando com a saúde dos países do Sul
Capítulo à parte mereceria a análise do impacto destes agrotóxicos sobre a saúde das comunidades próximas às plantações onde são aplicados. Inúmeros foram os casos documentados, especialmente em países do Sul, onde seu uso é mais permissivo. Na Argentina, temos o conhecidíssimo caso das Mães de Ituzaingó, em Córdoba, em pé de guerra contra as fumigações nas plantações de soja ao redor da sua comunidade, e responsáveis pelo alto número de casos de câncer, malformações em recém nascidos, anemia hemolítica… que afetam a sua população. Em 2012, a Câmara I do Crime de Córdoba deu-lhes ganho de causa ao sentenciar que a fumigação com agrotóxicos era crime e seus autores foram condenados por contaminação dolosa.
Em vários países centro-americanos, o uso sistemático do Dibromo Cloropropano (DBCP) em plantações das Standard Fruit Company, Dole Food Corporation Inc., Chiquita Brands International foi o responsável por centenas de mortes, cânceres, deficiências mentais, malformações genéticas, esterilidade e dores por todo o corpo entre seus trabalhadores. Mesmo que, em 1975, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos considerasse a DBCP um possível agente cancerígeno, as multinacionais bananeiras continuaram a usá-lo. A lista poderia continuar com casos de comunidades afetadas pelo uso de agrotóxicos na Índia, Tailândia, Paraguai e muitos outros países. A agricultura industrial produz doenças e mortes, como demonstram os dados. Quem o negar, mente.
Se falamos de alimentação e saúde é necessário referir-se também ao impacto negativo de alguns aditivos alimentares (aromatizantes, colorantes, conservantes, antioxidantes, adoçantes, adensadores, realçadores de sabor, emulsionantes…) em nosso organismo. Está claro que desde as origens da alimentação existem métodos para conservá-la, e é fundamental que assim seja, caso contrário, o que comeríamos? Entretanto, o desenvolvimento da indústria alimentar generalizou o uso de aditivos químicos de síntese para adaptar a alimentação às características de um mercado quilométrico (onde os alimentos viajam grandes distâncias do campo ao prato), consumista (realçando desnecessariamente a cor, o sabor e o aroma dos produtos para torná-los mais apetecíveis) e que adoça artificialmente a alimentação, com produtos que deixam muito a desejar.
Do aspartame e do glutamato monossódico
Não se trata de colocar todos os aditivos no mesmo saco, mas assinalar o impacto que alguns podem ter em nosso organismo, especialmente os aditivos sintéticos, em comparação com os naturais. O livro Os aditivos alimentares. Perigo, de Corinne Gouget, assinala especialmente dois: o aspartame, codificado na Europa com o número E951, e o glutamato monossódico, com o E621.
O aspartame é um adoçante não calórico empregado em refrigerantes e comida “light”. Alguns estudos apontaram as consequências negativas que pode ter em nossa saúde. A Fundação Ramazzini de Oncologia e Ciências Ambientais, com sede na Itália, publicou, em 2005, na revista Environmental Health Perspectives os resultados de um exaustivo trabalho onde, a partir da experimentação com ratos, assinalava os possíveis efeitos cancerígenos do aspartame para o consumo humano. O informe concluía que o aspartame é um potencial agente cancerígeno, inclusive com uma dose diária de 20 miligramas por quilo, muito abaixo dos 40 miligramas por quilo de ingestão diária aceitos pelas autoridades sanitárias europeias. A Fundação Ramazzini concluía que era necessário revisar as diretrizes sobre sua utilização e consumo. No entanto, a Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, em sua sigla em inglês) omitiu estas conclusões e, seguindo a pauta habitual com os trabalhos científicos críticos, desautorizou o trabalho. Não esqueçamos os laços estreitos da EFSA com a indústria alimentar e biotecnológica e como, por exemplo, sua presidenta na Agência Espanhola de Segurança Alimentar é Ángela López de Sá Fernández, ex-diretora da Coca-Cola.
O glutamato monossódico, por sua vez, é um aditivo realçador de sabor muito utilizado em frios, hambúrgueres, misturas de condimentos, sopas, molhos, batatas fritas, guloseimas. Estes últimos, muito consumidos pelas crianças. Em 2005, o professor de fisiologia e endocrinologia experimental da Universidade Complutense de Madri, Jesús Fernández-Tresguerres, um dos 35 membros da Real Academia Nacional de Medicina, publicou nos Anais da Real Academia Nacional de Medicina os resultados de um longo trabalho onde analisava os efeitos da ingestão de glutamato monossódico no controle do apetite. As conclusões foram demolidoras: sua ingestão aumentava a fome e a voracidade em 40% e impedia o bom funcionamento dos mecanismos inibidores do apetite, o que contribuía para o aumento da obesidade e, a partir de certas quantidades, se considerava que poderia ter efeitos tóxicos sobre o organismo. Alguns chegaram a denunciar, informalmente, esta substância como “a nicotina dos alimentos”.
Além do aspartame e do glutamato monossódico, outros aditivos também se mostraram prejudiciais à saúde humana, e acabaram sendo retirados do mercado. Em 2007, a Comissão Europeia proibiu o uso do colorante vermelho 2G (E128), utilizado mormente em linguiças e hambúrgueres, ao considerar, depois de uma reavaliação da EFSA, que este poderia ter “efeitos genotóxicos e cancerígenos” para as pessoas. A avaliação toxicológica anterior foi realizada 25 anos atrás. Outros estudos assinalaram como a mistura de alguns colorantes, muitas vezes utilizados em refrigerantes e “guloseimas”, combinados com a ingestão de outros aditivos presentes por sua vez nestes produtos provocaria hiperatividade infantil. Assim concluía um estudo sobre aditivos alimentares publicado na revista The Lancet, em 2007: “As cores artificiais ou o conservante benzoato de sódio (ou ambos) na dieta provocam um aumento da hiperatividade em crianças de três anos e em crianças entre oito e nove anos”. O maravilhoso e duro documentário francês Nossos filhos nos acusarão, nos recorda, como assinala o seu título, a responsabilidade que temos.
A agricultura ecológica, ao contrário, prescinde destes aditivos químicos de síntese, colocando no centro da produção de alimentos a saúde das pessoas e do planeta. Quem pode considerar, visto o que foi visto aqui, que a agricultura e a alimentação industrial, intensiva e transgênica é mais respeitosa com as pessoas e o meio ambiente que a ecológica? Vocês decidem. (ecodebate)

Por que a tecnologia (sozinha) não é capaz de salvar o meio ambiente?

TechNo Fix’: por que a tecnologia (sozinha) não é capaz de salvar o meio ambiente?
A ecologia não é apenas a preocupação com as energias renováveis.
Ela propõe também mudança de mentalidade, de vida.
Estamos em uma sociedade tecnofílica. A tecnologia dita o ritmo de vida das pessoas dentro de casa, no transporte, no trabalho, no lazer, etc. Nos últimos 200 anos – um mero pontinho na escala de tempo geológico – o mundo testemunhou um crescimento econômico exponencial e incríveis avanços científicos e tecnológicos. O crescimento da civilização humana deve muito à incorporação do progresso técnico. Mas a relação com o meio ambiente é mais complexa.
Entre o ano 1 da Era Cristã e o ano de 1800 a população mundial passou de cerca de 225 milhões de habitantes para 1 bilhão de habitantes, um crescimento de 4,4 vezes. No mesmo período a economia mundial cresceu 5,8 vezes, segundo dados de Angus Maddison. Em 1800 anos, o crescimento da renda per capita foi de apenas 30%. Todavia, com o início da Revolução Industrial e Energética houve um impressionante crescimento da população e da economia. A população mundial passou de 1 bilhão de habitantes em 1800 para 7 bilhões em 2011, um crescimento de 7 vezes. No mesmo período a economia internacional cresceu 90 vezes (segundo Angus Maddison). Isto quer dizer que houve um espetacular crescimento da renda per capita dos habitantes do mundo. Ou seja, em 211 anos a renda per capita cresceu 13 vezes, enquanto nos 1800 anos anteriores tinha crescido apenas 1,3 vezes.
As ideias iluministas de progresso foram colocadas em prática, mas na forma concreta de uma sociedade de consumo de massa. A ciência e a tecnologia, ajudadas pelos combustíveis fósseis, possibilitaram grandes transformações sociais e econômicas nos últimos 200 anos. Mas se houve ganhos, também houve grandes danos ambientais com o avanço da civilização. Mary Shelley foi uma das primeiras pessoas a questionar o otimismo do pensamento iluminista, quando escreveu o livro: “Frankenstein, o Prometeu Moderno”, publicado em 1818. Ela sugeriu que a tecnologia, em vez de criar o “homem novo”, poderia criar um monstro.
Autores como John Gray e James Lovelock consideram que o poder da tecnologia e dos avanços da racionalidade humana tem servido apenas para aumentar o poder do ser humano sobre o planeta à custa da degradação ambiental e da redução da biodiversidade. Em entrevista à revista Época, Gray (2006) apresentou um prognóstico pessimista sobre o futuro da humanidade: “A espécie humana expandiu-se a tal ponto que ameaça a existência dos outros seres. Tornou-se uma praga que destrói e ameaça o equilíbrio do planeta. E a Terra reagiu. O processo de eliminação da humanidade já está em curso e, a meu ver, é inevitável. Vai se dar pela combinação do agravamento do efeito estufa com desastres climáticos e a escassez de recursos. A boa notícia é que, livre do homem, o planeta poderá se recuperar e seguir seu curso”. Jonh Gray expressa sua descrença na tecnologia e no progresso humano no livro “The Silence of Animals: On Progress and Other Modern Myths” (Farrar, Straus & Giroux, 2013).
Enquanto algumas pessoas acham que a tecnologia, como os satélites, controlam tudo que acontece no mundo, outros mostram que a capacidade tecnológica é limitada, pois um objeto tão grande como o avião da Malaysia Airlines desaparecido com 239 pessoas, em abril de 2014, não foi encontrado, embora inúmeros países tenham utilizado a tecnologia mais moderna na busca.
Sem dúvida, alguns estudiosos veem a tecnologia como uma salvação, enquanto outros a veem como uma danação. Michael and Joyce Huesemann, no livro: “Techno-Fix: Why Technology Won’t Save Us or the Environment” alertam que a nossa confiança na tecnologia e na crença de que ela vai nos salvar é “suicida” e que muitas das nossas invenções estão causando mais mal do que bem.
Michael Huesemann diz no livro que não odeia tecnologia, mas quer que ela seja usada para algo bom para as pessoas e o meio ambiente: “Precisamos mudar a ciência e a tecnologia em uma nova direção , porque os nossos melhores cientistas estão ocupados construindo instrumentos e armas mais poderosas para aumentar os lucros das empresas, enquanto apenas uma fração muito pequena é dedicada à solução de problemas ambientais. O governo dos Estados Unidos gasta US $70 a 80 bilhões por ano para pesquisa militar e de defesa nacional, em comparação com cerca de US $ 2 bilhões para a pesquisa ambiental“.
Ele diz que, em vez de abordar as causas dos nossos problemas, as empresas usam o “techno-fix”, apenas para tratar os sintomas, como o plano das empresas petrolíferas para começar a bombear CO2 para o chão. Além do mais, tecno-correções sempre podem ter consequências inesperadas, o que significa que precisamos de chegar a um novo techno-fix para resolver os problemas criados a partir de nossa última techno-fix .
Para Huesemann, a solução é simples: converter inteiramente a matriz energética para fontes renováveis, utilizar apenas materiais sustentáveis​​, reciclar tudo, não produzir resíduos tóxicos, mas apenas biodegradáveis e mudar nosso padrão de produção e consumo que tem causado tantos danos ao meio ambiente.
Se a tecnologia for usada apenas para aumentar a eficiência econômica e incentivar o consumo então cairíamos no Paradoxo de Jevons (ou efeito bumerangue – rebound effect), que é uma expressão usada para descrever o fato de que o aperfeiçoamento tecnológico ao aumentar a eficiência com a qual se usa um recurso ou se produz um bem econômico, o mais provável é que aumente a demanda desse recurso ou produto. Este fenômeno foi observado pelo economista britânico William Stanley Jevons (1835-1882), que escreveu em 1865 o livro “O Problema do Carvão”, observando que os motores mais eficientes da Revolução Industrial em vez de reduzir, aumentaram o uso total do carvão: “É um completo engano supor que um uso mais eficiente dos combustíveis implicará numa redução do seu consumo. A verdade é precisamente o oposto”.
Desta forma, podemos perceber que os avanços tecnológicos podem ser um grande instrumento de libertação e bem-estar, mas também podem se tornar fontes de exploração e alienação, especialmente quando reforçam o monopólio da ciência e tecnologia nas mãos de poucos atores econômicos. Aumentos na eficiência energética e produtiva só contribuem para o avanço do processo civilizatório quando estiverem a serviço do conjunto da população, dos demais seres vivos do Planeta e da melhoria da qualidade de vida da Terra. (ecodebate)

Meio ambiente e alguns dos principais meios antrópicos

A Agropecuária envolve todas as atividades humanas de pecuária extensiva ou intensiva, criação das mais diversas espécies terrestres ou aquáticas e as atividades vinculadas com a agricultura dos mais variados tipos, desde a pequena propriedade com plantio de subsistência, passando pela agricultura familiar e chegando no agronegócio mais sofisticado com monoculturas extensas de exportação.
Qualquer que seja o enfoque da abordagem é muito os impactos ambientais produzidos por resíduos sólidos do tipo dejetos de animais e embalagens de produtos químicas. E também são grandes os impactos gerados pelo lançamento nos cursos de água, de efluentes não tratados de criações intensivas de aves e suínos e pelas aplicações indiscriminadas ou mesmo controladas, de herbicidas, fungicidas e pesticidas em geral.
Detalhar qualquer item nos afastaria do objetivo geral de trazer uma noção básica de percepção ambiental e diretriz para compreender o conjunto da questão ambiental, mas sem dúvida, é fácil imaginar e avaliar a extensão do assunto.
Evidentemente que a atividade agropecuária é fundamental para a sobrevivência da espécie humana, mais importante ainda em nosso país, que é eminentemente primário. Mas é necessário aprofundar o trabalho de trazer sustentabilidade econômica e ambiental para as populações que vivem da atividade de lavoura e pecuária.
A indústria foi por muito tempo a atividade mais responsabilizada pelos danos ambientais e hoje não é exagero dizer que os diversos setores industriais se encontram na vanguarda das ações de preservação ambiental e sustentabilidade nas diversas atividades econômicas.
A indústria engloba todas as transformações que os materiais minerais e agropecuários sofrem para se tornar bens de consumo para utilização das populações.
Existem vários setores e tipos de indústrias, desde as muito poluentes, até aquelas que praticamente não produzem efluentes, resíduos ou emissões atmosféricas.
Atualmente os conceitos de sustentabilidade e preservação ambiental estão bem disseminados na cultura dos empreendedores industriais, que são responsáveis por algumas das ações mais ousadas de planejamento ambiental, transparência e responsabilidade social.
Mas é inegável que o arcabouço jurídico e a ação normatizadora, reguladora e fiscalizadora do Estado são indispensáveis para atingir uma sinergia eficiente com a indústria tomando consciência de seu papel na preservação ambiental em geral.
A água, pela sua intrínseca relação com a vida, não poderia estar fora da cidade e podemos ver sinal de vida própria no seu caminhar pelo espaço urbano.
Não existe cidade se não existir água disponível regularmente, capaz de atender às necessidades básicas do ser humano, para o controle e prevenção de doenças, para a garantia do conforto e para o desenvolvimento socioeconômico.
Ao se modernizar, a cidade não consegue fugir dessa dependência, pelo contrário, a necessidade por água aumenta em função da complexidade do aparato produtivo.
A visão integrada do conceito de saneamento básico é defendida, inclusive, pelo corpo técnico-científico internacional ligado ao saneamento, como, por exemplo, o conceito defendido pela Associação Portuguesa para Estudos de Saneamento Básico – APESB, de que saneamento básico é, pelo menos, “o abastecimento de água, a drenagem, o tratamento e a disposição final de águas residuais, e a recolha, tratamento e a disposição final de resíduos sólidos”.
Sobre disponibilidade de água, vale lembrar que a quantidade e a qualidade têm estreita relação com a geografia do manancial. Uma bacia hidrográfica, com sua área de contribuição bem definida, tem um limite claro para a vazão que se pode tirar dos cursos de água que a drenam, o mesmo valendo para um aquífero subterrâneo. Diante disso, vale a regra de que as vazões disponíveis podem ser consideradas parte integrante das informações geográficas de uma determinada área.
No ciclo urbano da água, ela também tem papel como agente de limpeza a serviço dos habitantes da cidade. Isso fica evidente na relação direta e significativa entre água consumida e geração de esgotos, com cerca de 80% da água de abastecimento sendo transformada em esgoto sanitário. Esse esgoto precisa de uma área para que sua carga poluidora seja diminuída, facilitando a sua purificação natural, sendo que nesse cálculo de área deve ser levada em conta a parcela necessária para reciclar os resíduos que são removidos desse esgoto, os chamados lodos provenientes do tratamento.
Além da água de abastecimento que chega à cidade, a chuva também joga quantidade significativa de água na área urbana. E essa água tem seus caprichos, procurando seguir seus caminhos pelos pontos mais baixos do relevo. Nesse caminhar, ignora boa parte das ações humanas que tentam impedir seu movimento, tendo força para superar esses obstáculos.
Sobre essa água e seu caminhar, as cidades deveriam ter como lema respeitar sempre seus caminhos, sob pena de enfrentar sua fúria, que se faz sentir quando da ocorrência de enchentes e inundações. Além disso, não se pode esquecer que no ambiente natural, a percolação pelos vazios do solo é um caminho muito usado pela água. Quando se impede a sua infiltração, com a impermeabilização da superfície do solo, parte significativa da água não faz seu trajeto subterrâneo, escoando, consequentemente, pela superfície.
As águas pluviais carregam tudo o que encontram no seu caminho, desde a poluição que paira no ar até os resíduos que foram lançados sobre as ruas. Quanto mais se descuida da limpeza da cidade, mais trabalho sobra para a chuva, que não se nega a prestar esse serviço de limpeza. Portanto, a cidade que não se limpa organizadamente acaba contribuindo para a poluição dos corpos de água, onde as águas pluviais depositam todo o material carreado durante seu trajeto. Essa poluição pode comprometer o uso da água para diversas finalidades, além do próprio abastecimento humano da cidade.
Outra associação importante que reflete a essência do conceito de saneamento é a questão do lixo, ou dos resíduos sólidos resultantes das diversas atividades da cidade. Para funcionar adequadamente, a cidade necessita de grande aporte de material proveniente de áreas externas aos seus limites geográficos. Nesses materiais, podemos incluir os alimentos para os habitantes da cidade e a matéria prima para os processos produtivos, os quais são utilizados, processados e geram resíduos. Esses resíduos têm pouca mobilidade, com exceção daqueles transportados pela água da chuva. Por isso, onde são lançados, lá permanecem em processo lento de degradação, tornando-se fontes de poluição e contaminação.
Os índices de cobertura de água tratada são muito elevados em quase todo país, mas as quantidades de esgoto recolhido e tratado são muito baixas.
Da mesma forma, são razoavelmente eficientes na função de coleta, todos os sistemas de recolhimento de lixo urbano doméstico e público. Mas o mesmo não pode ser dito da disposição final, ainda muito carente de usinas adequadas e projetadas para a reciclagem e o reaproveitamento e células de disposição final com normas de engenharia respeitando parâmetros de proteção ambiental.
A questão do saneamento básico tem sido cada vez mais explorada por empreendedores privados, que se interessam pelas atividades vinculadas com a água e mesmo com as tarefas de coleta, reciclagem e disposição final dos resíduos sólidos urbanos. O poder público, principalmente através de prefeituras, tem sido grande contratador destes serviços e as empresas têm desenvolvido um filão importante de mercado.
As questões de infraestrutura envolvem tudo que é necessário para atender às necessidades das populações e para dar qualidade de vida para os agrupamentos humanos, permitindo que os diversos grupos sociais cumpram suas funções dentro do complexo tecido das relações sociais e econômicas da humanidade.
Sob o aspecto da logística das empresas e de suas necessidades, envolve estradas, energia, comunicações, infraestrutura de mineração, disponibilidade de matérias-primas para a indústria da construção civil e outros.
O conjunto da população ainda depende de outros aspectos de infraestrutura, destacando-se saúde, transportes, segurança, saneamento, etc.
Hoje cada vez mais cresce a lista dos bens catalogados como infraestrutura, como estações de micro-ondas, estações de rádio base, redes de fibra ótica e outros.
Mas questões básicas como evitar o assoreamento dos rios por fenômenos descontrolados de erosão produzidos por expansão rural ou urbana descontrolada e que poderiam ser evitadas com pequenas ações corretivas ou preventivas, são problemas fundamentais que permanecem e se ampliam com o crescimento demográfico desordenado e a desarticulação da capacidade de intervenção dos órgãos responsáveis pela infraestrutura pública.
Raciocínio semelhante pode ser feito com as denominadas áreas de risco que são as áreas alagáveis ou passíveis de instabilizações de taludes que colocam em risco populações assentadas, geralmente de baixa renda.
Esta realidade amplia cada vez mais o fosso que separa as populações do Brasil que está integrado ou incluído e o Brasil dos excluídos e dos marginalizados, que sem educação cada vez mais se tornam párias sociais, sem a perspectiva de oportunidades.
As disponibilidades e as necessidades de infraestrutura diferenciadas operam como excelentes indicadores sociais. Enquanto áreas são servidas por redes de cabo de fibra ótica, populações inteiras marginalizadas vivem nas denominadas áreas de risco.
Estas áreas nada mais são do que regiões inundáveis no interior do domínio das planícies aluviais dos rios ou áreas de encosta com declividade elevada, nas quais as edificações sofrem riscos de colapsos por instabilização de taludes verticais e cortes mal drenados dos terrenos.
Estes não são os únicos meios sócios econômicos ou antrópicos, cuja listagem é quase infinita e multivariada de acordo com a circunstância considerada, mas estes são meio relevantes como exemplificação. (ecodebate)

Cidades terão mais de 6 bilhões de habitantes em 2050

Cidades terão mais de 6 bilhões de habitantes em 2050, destaca novo relatório da ONU
Moradia, infraestrutura, transporte, energia e emprego são alguns dos desafios das megacidades, como Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Na imagem, criança na Favela Sônia Ribeiro, conhecida como ‘favela do Piolho’, atingida por um incêndio em setembro de 2012.
As próximas décadas trarão mudanças profundas no tamanho e distribuição das população global. A contínua urbanização e o crescimento geral da população fará com que 2,5 bilhões novas pessoas passem a viver em áreas urbanas em 2050, que abarcarão mais de 6 bilhões de habitantes dos 9,6 bilhões previstos para essa data.
São Paulo e Rio de Janeiro são citadas como megacidades e aparecem na lista das áreas urbanas mais povoadas do mundo, segundo o novo relatório “Perspectivas Globais de Urbanização” das Nações Unidas, lançado em 10/07/14.
Os continentes mais impactados por este rápido crescimento serão a África e a Ásia, onde se espera que 90% dessa nova população de 2,5 bilhões de habitantes residirá – mais especificamente na Índia, China e Nigéria, que contabilizarão 37% do crescimento mundial da população urbana entre 2014 e 2050.
Megacidades brasileiras
Produzido pela Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA), o relatório também destaca que de 1990 até 2014 as megacidades, com registro de população superior a 10 milhões, saltaram de 10 para 28, incluindo quatro na América Latina.
Entre elas se encontram a Grande São Paulo, com 20,8 milhões de residentes, e o Grande Rio, com 12,8 milhões de habitantes atualmente. Para 2050, o relatório estima que 79% da população brasileira viverá em centros urbanos.
São Paulo aparece na quinta posição de maiores aglomerações urbanas com mais de 5 milhões de habitantes, atrás apenas de Tóquio (Japão), com 37,8 milhões; Deli (Índia), com 24,9 milhões; Xangai (China), com 22,9 milhões; e Cidade do México (México) com 20,8 milhões. A lista também inclui Belo Horizonte na posição 59, com 5,6 milhões de residentes.
Crescimento em cidades pequenas em países em desenvolvimento
Com a população mundial urbana superando os 6 bilhões de habitantes, os países em desenvolvimento serão os mais impactados por este rápido crescimento. O documento informa que grande parte desse crescimento acontecerá em pequenos assentamentos humanos, que atualmente registram menos de 500 mil habitantes.
Os países africanos, onde grande parte dessa urbanização acontecerá, enfrentarão os maiores desafios para encontrar meios de atender as necessidades relacionadas com esse aumento populacional, incluindo moradia, infraestrutura, transporte, energia e emprego, assim como serviços básicos e educação.
“Administrar áreas urbanas se transformou num dos maiores desafios de desenvolvimento do século 21. Nosso sucesso ou fracasso para construir cidades sustentáveis será um fator relevante no sucesso da agenda de desenvolvimento da ONU pós-2015”, disse Johan Wilmoth, diretor da Divisão de População da DESA.
O relatório ressalta que uma agenda de planejamento urbana de sucesso precisará focar em assentamentos urbanos de todos os tamanhos. Se bem administrada, as cidades oferecem oportunidades importantes para o desenvolvimento econômico e para a expansão do acesso de serviços básicos.
Fornecer transporte público, assim como moradia, eletricidade, água e saneamento para uma população urbana densamente estabelecida é normalmente mais barato e prejudica menos o meio ambiente que fornecer um serviço similar em áreas rurais dispersas.
Esta revisão de 2014 do “Perspectivas Globais de Urbanização” traz informação nova e atualizada das tendências de urbanização globais e crescimento das cidades. Os dados são vitais para estabelecer prioridades políticas para promover um desenvolvimento inclusivo, equitativo e sustentável para as áreas urbanas e rurais.
Ao reconhecer a importância das cidades pequenas e municípios, essa última revisão expande a recopilação de cidades e fornece, pela primeira vez, uma estimativa e projeção populacional para todos os assentamentos urbanos do mundo com mais de 300 mil habitantes em 2014. (ecodebate)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Seca no Rio São Francisco gera queda no turismo

Seca no Rio São Francisco, em MG, gera queda de até 80% no turismo
Número de turistas reduziu nos últimos três meses em Três Marias.
Em Pirapora, barco a vapor foi ancorado devido ao nível do Rio.
Barco a vapor Benjamim Guimarães teve de ser ancorado por causa do nível do Velho Chico.
O baixo nível da água no Rio São Francisco tem gerado prejuízos a vários setores da economia nos municípios ribeirinhos em Minas Gerais. Em Três Marias, região central do estado, o turismo é a principal fonte de renda, mas nos últimos três meses o número de visitantes caiu 80%, segundo a Secretaria de Turismo do município.
“Realizamos um Carnaval fora de época, que é muito tradicional, e nem a metade do público compareceu. E essa queda influencia na vida de todas as pessoas, desde os que alugam barcos até os proprietários de pousadas. É uma reação em cadeia, que afetou o comércio de forma geral”, fala Maria Amélia Martins, secretária de Turismo.
Reservatório está com apenas 6% do seu volume útil.
No município está instalada a Usina de Três Marias, que tem um dos quatro maiores reservatórios do país. Porém, o nível de água neste reservatório está em 6% de se volume útil. Com isso, “os royalties provenientes da geração de energia diminuíram, já que apenas uma das seis turbinas está funcionando”, afirma o prefeito Vicente Rezende.
Em Pirapora, no norte do estado, o turismo também tem sofrido perdas com a seca no Velho Chico. Uma das principais atrações turísticas da cidade e do Norte de Minas, o vapor Benjamim Guimarães, teve passeios suspensos em agosto, devido à falta de navegabilidade do rio.
“A queda no volume de água do rio significa risco para a navegação, uma vez que as pedras podem comprometer o casco do vapor, que ainda corre o risco de ficar encalhado, tamanha a quantidade de bancos de areia”, justificou o presidente da Empresa Municipal de Turismo (Emutur), Anselmo Rocha de Matos.
Além disso, o município teve de investir em um sistema de captação de água por bombeamento que foi instalado em junho deste ano, para garantir o abastecimento de 18 mil imóveis, entre residências e comércios. Os equipamentos custaram R$ 540 mil.
“O rio está com nível nunca antes registrado, e a tendência é que a situação piore, já que as chuvas estão previstas para outubro e novembro”, fala o prefeito.
Para instalá-los, na época a Administração Municipal teve que entrar com uma ação na Justiça, para garantir a manutenção da vazão do reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias por 30 dias. Caso houvesse redução, como estava previsto, o abastecimento no município ficaria comprometido, já que a captação, feita por gravidade, não seria mais possível.
Projeto Jaíba está localizado em 3 municípios
Produção agrícola
Os efeitos da estiagem também estão sendo sentidos por produtores agrícolas do Projeto de Irrigação Jaíba, que conta com 2.149 propriedades em 25 mil hectares de área irrigada com as águas do Velho Chico. Por causa do nível do rio, a captação teve que ser reduzida de 20 m³/s para 15m³/s. A produção, com destaque para as frutas, que é de 200 mil toneladas e tem um crescimento anual de 10%, deve ser pelo menos 3% menor.
O gerente executivo do Projeto, Marcos Medrado, conta que a primeira medida tomada pela administração foi comunicar aos produtores sobre o baixo nível do São Francisco, para que evitassem expandir as áreas de plantio e fazer novas ligações de irrigação.
"Uma ação de desassoreamento emergencial está sendo realizada para manter o fluxo da água no canal de irrigação. Com a baixa do Rio, houve o aparecimento dos bancos de areia e sedimentos", destaca. O investimento é de R$ 1,8 milhão. Em condições normais as intervenções são feitas a cada quatro anos.
Piscicultura
A piscicultura, com destaque para a criação de tilápias, é uma das principais atividades econômicas desenvolvidas no lago de Três Marias, que abrange oito municípios. Segundo dados da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), em 2013 a produção atingiu mais de 6,5 toneladas, gerando cerca de R$ 30 milhões, mas neste ano está prevista uma queda de 10% nos números.
Edmilson Campos, presidente da (Cooperativa dos Piscicultores do Alto e Médio São Francisco Ltda.), conta que apenas em Morada Nova de Minas (MG) a produção de peixes, que era de 260 toneladas por mês, caiu pela metade. A atividade gerava 1.200 postos de trabalho diretos e indiretos no município de pouco mais de 8.700 habitantes e atualmente emprega 400 pessoas.
“Os piscicultores de menor porte estão abandonando a atividade. Há casos de piscicultores que tiveram que avançar 15 quilômetros para continuar produzindo. Hoje dei uma carona para a esposa de um pescador que disse estar vivendo a pão e água, contando com a ajuda de vizinhos.
Volume Morto
O nível no reservatório em Três Marias está bem próximo de chegar a seu chamado volume morto, com aproximadamente 4,5 milhões de m3.
Volume morto chega a 4,5 milhões de m3 água.
A representante do Consórcio dos Municípios do Lago de três Marias (Comlago), Sílvia Freedman, destaca que uma falha na execução da obra fez com que Três Marias não tivesse descarga de fundo. O que, segundo ela, impediria a utilização do volume morto, que é uma reserva de água que fica no fundo da represa e que nunca precisou ser utilizada para abastecer a população.
Sílvia Freedman destaca que a descarga de fundo serviria para liberar água da usina, além de permitir que o volume morto pudesse ser renovado, já que uma quantidade grande de sedimentos se acumula nesta reserva. Ela afirma que existe a possibilidade do Rio São Francisco parar de correr, fazendo com que o abastecimento humano tenha que ser feito com caminhões pipa e poços artesianos. 
Por outro lado, Marcelo de Deus, gerente de Planejamento Enérgetico da Cemig, que administra a hidrelétrica, explica que as usinas mais recentes e de grande porte, como Três Marias, não têm descarga de fundo. Ele afirma que esse mecanismo é geralmente utilizado durante a execução do projeto, para perenizar o rio, ou em obras menores.
“Três Marias tem reservatório com grande capacidade de acumulação de água, por isso não havia a necessidade de um descarregador de fundo e isso foi avaliado quando a obra foi projetada”, destaca.
Marcelo diz que é preciso esclarecer que se o nível do reservatório chegar a 0%, isso não significa que o Rio São Francisco deixará de correr. Esse percentual impediria a geração de energia, mas a Cemig garante que a vazão natural do Rio será mantida, portanto o Velho Chico não irá secar.
“ A Cemig junto com o grupo formado por todos os atores envolvidos, e coordenado pela Agência Nacional de Águas, trabalha intensamente para que está situação não venha ocorrer”
O gerente de Planejamento diz que antes da obra ser executada é feito um modelo reduzido da Usina, que permite avaliar o funcionamento da obra por meio de uma miniatura. Esses testes foram feitos na Alemanha e garantem que Três Marias poderá gerar energia sem problemas até o nível de 0%.
“Mesmo com 0%, o reservatório ainda terá 4 bilhões de m³ de água, uma lâmina de água correspondente a Baía de Guanabara”, afirma.
Quando questionado sobre a possibilidade do reservatório voltar a encher, Marcelo de Deus afirma que para que a situação atual seja revertida, é preciso que as chuvas sejam abundantes e bem distribuídas. Ele cita que em 2011, quando o nível chegou a 8%, o lago voltou à normalidade com uma estação chuvosa.
“Estamos vivendo uma crise hídrica sem precedentes. Não há registros de nada parecido. A última chuva considerável que tivemos foi em dezembro de 2013, ou seja, há quase um ano.”
Análise das outorgas de água
Silvia Freedman, da Comlago, diz que está sendo estudada a necessidade de que as outorgas de água de maior volume sejam suspensas. A indústria e a produção de frutas são alguns setores que podem ser afetados. O comitê irá solicitar que aos órgãos federal, Agência Nacional de Águas, e estadual, Instituto Mineiro de Gestão das Águas, façam a revisão das concessões e a suspensão, caso necessário.  
“A legislação estabelece que as prioridades são garantir o abastecimento humano e a dessedentação de animais.” (g1)

Nascente do Rio São Francisco está secando

Chefe de parque em MG afirma que nascente do Rio São Francisco está secando
Luiz Arthur Castanheira, que coordena o Parque Nacional da Serra da Canastra, diz que a seca na região é uma das piores dos últimos 30 anos.
Imagem mostra a nascente antes de ser atingida pela seca
O prolongado período de estiagem está colocando em risco a nascente do Rio São Francisco, em Minas Gerais. O alerta foi feito nesta terça-feira pelo chefe do Parque Nacional da Serra da Canastra, Luiz Arthur Castanheira. Segundo ele, a nascente do rio, situada em São Roque de Minas, dentro da área de preservação na Região Centro-Oeste de Minas, está secando. A vazão de água diminuiu significativamente nos últimos dias. Para Castanheira, a situação é a pior dos últimos 30 anos. “A seca está brava demais. O que houve aqui é que os pequenos tributários (afluentes) que existem na cabeceira maior do São Francisco, na nascente, secaram nos últimos dias. Apenas uns dois continuam com água, mas com uma vazão bem pequena”, explicou.
Segundo Castanheira, não há medidas paliativas para aliviar a situação e o jeito é torcer para que a chuva chegue. “A água este ano realmente está difícil. É uma coisa do ciclo natural, só que este ano a seca veio mais grave. Não tem como bombear a água para lá, é rezar para chover. Está sendo a pior seca de muitos anos", afirma Castanheira.
Devido à seca, o parque vem sofrendo com incêndios que também atingiram as nascentes. “Tivemos neste último mês oito incêndios. O pior é que a maioria é criminoso e ainda em uma época mais inapropriada de se fazer queimadas. A vegetação em volta das nascente foi atingida, o que não acontecia há quatro anos”, explicou.
A Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco é uma das mais importantes do país. Ela abrange 639.219 km2 de área de drenagem. Segundo o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) a vazão média é de 2.850 m3 por segundo, o que equivale a 2% do total do país. O rio tem extensão de 2,7 mil quilômetros. Ele nasce na Serra da Canastra, escoando no sentido sul-norte pela Bahia e Pernambuco, quando altera seu curso para este, chegando ao Oceano Atlântico através da divisa entre Alagoas e Sergipe.
Desde junho
Os altos investimentos para tentar conter as águas dos rios não foram suficientes para evitar a situação da seca. De acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, desde o ano passado foram gastos aproximadamente R$ 30 milhões em Minas Gerais para a construção de barraginhas, cercamento de nascentes, entre outras medidas. Porém, com o período de estiagem, a as obras não foram suficientes.
Há três meses, a situação se agravou. “A situação veio à tona a partir do mês de junho. A gente tinha uma tendência de um alto índice pluviométrico em 2014 e isso não aconteceu. Isso fez com que a vazão de rios diminuísse. Começamos a ver a situação de não afluentes e baixa afluência e qualidade das águas abaixo das barragens. Até então, estávamos pensando que a parte crítica do Rio São Francisco estava em Alagoas, mas daí percebeu-se que aqui do alto, em Minas Gerais, que é responsável por 72% das águas do rio, também estava secando”, diz Sílvia Freedman Ruas Durães, secretária nacional do CBHSF. (em)

Secou a nascente histórica do São Francisco

Como num funeral, ontem – 23/09/2014 – é um dia de luto histórico para o rio São Francisco e seu povo. Segundo o diretor do Parque Nacional da Serra da Canastra sua nascente histórica secou.
Nascente do Rio São Francisco, na cidade mineira de São Roque de Minas.
Como dizia Shakespeare pela boca de Macbeth:
Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflige sobre o palco – faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria e vazia de significado.
Nem o pior dos vaticínios nos anteciparia essa notícia. Agora não é mais previsão dos catastrofistas, dos apocalípticos, de ambientalistas sectários. Estamos diante do fato.
James Lovelock previa que o território brasileiro, até o final do século, seria inabitável. Se ele está certo ou ou não só o futuro dirá. Mas, com certeza, pela destruição de nossas bases naturais, estamos construindo um futuro apavorante. (ecodebate)

Dissociação coletiva é barreira invisível na crise climática

A dissociação coletiva é um mecanismo subconsciente de defesa que paralisa a ação humana frente à gravidade da crise climática. De acordo ...