sábado, 19 de dezembro de 2015

História da reciclagem animal

O aproveitamento de partes não comestíveis de produtos originários do abate de animais e de recortes de açougues foi verdadeiramente a primeira atividade de reciclagem de resíduos de atividades humanas. O primeiro registro do uso de gorduras animais de que se tem notícia foi para a fabricação de sabões, no “Papirus de Ebers” (Egito, 1550 AC), época em que os antigos egípcios se banhavam regularmente com um produto à base de óleos vegetais e gorduras animais combinados com sais alcalinos para formar um tipo de sabão.
A segunda forma de uso de produtos reciclados de origem animal foi o uso do óleo de baleia na fabricação de velas, por volta dede 200AC, na China. As velas só passaram a ter importância na Europa por volta dede 400DC, quando o uso de lamparinas à base de azeite de oliva era muito difundido. Durante toda a idade média, o uso de óleos animais era essencialmente artesanal, pois fazendeiros e alquimistas extraiam a gordura dos resíduos do abate de animais para consumo próprio ou para fabricação de sabões, unguentos e velas. Utilizando grandes taxos de ferro abertos, aquecidos a lenha, o material era fervido e posteriormente o sobrenadante (gordura) era retirado. Esse tipo de reciclagem de resíduos de origem animal ainda é feita em fazendas e locais remotos para a obtenção de banha suína para consumo e conservação de carnes.
O uso de óleo, seja ele de origem animal ou mineral, só conseguiu atingir viabilidade comercial com o surgimento da indústria pesqueira baleeira no século XVII.
Em meados do século XIX, a indústria de abate de búfalos e bovinos começou a se estabelecer em Chicago, Estados Unidos.
Quantidades crescentes de resíduos não comestíveis eram produzidos diariamente, e consequentemente, os problemas para se descartar esses resíduos só aumentavam, resultando em enorme pressão social para que esses estabelecimentos fossem fechados devido a péssimas condições sanitárias. Gustavus Swift, Nelson Morris e Lucius Darling são os pioneiros do moderno setor de Reciclagem de Resíduos de Origem Animal – ROA. Eles vislumbraram que a indústria da carne necessitaria ter seus resíduos reutilizados, e iniciaram o processo de coleta e processamento dos mesmos.
No início do século XX, o processamento consistia da injeção de vapor direto na matéria-prima, separando a água e a gordura do material sólido. A gordura era utilizada para a fabricação de margarinas, lubrificantes, velas e sabões; o resíduo sólido era utilizado como fertilizante.
Em 1912, esse resíduo úmido foi oferecido a porcos, que apresentaram melhor ganho de peso. Após o início I e da II Guerras Mundiais, fazendeiros europeus necessitando alimentar seus animais, passaram a utilizar amplamente esse resíduo para bovinos e suínos. Enquanto isso, nos EUA, a demanda por glicerina para a produção de nitroglicerina era enorme. Com isso, foi descoberta uma fonte barata e viável de proteína para a alimentação de animais de produção.
Com o avanço tecnológico, o resíduo do processamento passou a ser produzido seco, em forma de farinha. Em 1947, frangos de corte tiveram seu crescimento acelerado quando receberam farinha de carne e ossos em suas dietas. O processamento de subprodutos do abate de aves começou então nos anos 50, com a fabricação de farinhas de vísceras e de penas. Entre 1960 e 1970, o uso de farinhas e gorduras de origem animal se disseminou na produção animal. Animais que consumiam rações fabricadas com esses produtos cresciam mais rápido, consumiam menos ração e apresentavam custo de produção muito inferior aos que comiam apenas grãos.
Visando aumentar a produção de leite e de carne, em países desenvolvidos o gado foi retirado do pasto, e passou a ser alimentado em enormes currais, onde o alimento cuidadosamente formulado era oferecido diariamente, e o uso de farinhas de origem animal era amplamente recomendado.
Em 1986, na Inglaterra, o gado foi abatido por uma doença semelhante ao "scarpie" de ovelhas, que veio a ser conhecida como "doença da vaca louca" (nome científico: Encefalopatia Espongiforme Bovina, BSE).
De início, a causa era desconhecida, e apenas em 1990 que se passou a compreender que a transmissão se dava pelo consumo de farinhas de origem animal, majoritariamente ovelhas que teriam morrido de Scarpie nas fazendas e que teriam sido recolhidas e enviadas para a reciclagem animal, contaminando animais sadios. Com isso, o uso de farinhas de ruminantes, em dietas de ruminantes, foi banida na Inglaterra em 1990.
Apesar de o Brasil ser considerado um país com risco insignificante BSE, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-MAPA, proibiu o uso de farinhas de origem animal em dietas de ruminantes.
Além disso, proibiu o uso de cama de frango e quaisquer resíduos de abate, assim como exigiu a esterilização de todas as farinhas que contenham resíduos de ruminantes. Dessa forma, acredita-se que o risco de o Brasil apresentar casos de BSE seja extremamente reduzido. (abra)

Indústrias de reciclagem animal crescem 25,4% ao ano

Associação Brasileira de Reciclagem Animal apresentou diagnóstico, com dados do setor de 2010 a 2014.
Reciclagem animal cresce no país e ganha destaque na agroindústria.
A indústria brasileira de reciclagem animal produziu 5,3 milhões de toneladas de farinhas e gorduras animais em 2014. Para tanto, foram processadas aproximadamente 12,4 milhões de toneladas de coprodutos animais: penas, vísceras, sangue e ossos de bovinos, suínos, aves e peixes. Entre 2010 e 2014, o setor mais que dobrou o volume das exportações. O total exportado passou de 46 mil toneladas para 114 mil toneladas atualmente. O crescimento médio anual foi de 25,4%, conforme dados apresentados no II Diagnóstico da Indústria Brasileira de Reciclagem Animal lançado em Brasília-DF, pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra).
Farinhas de carne e ossos são responsáveis por 86% das vendas externas brasileiras. A balança comercial do setor também foi positiva no período. O superávit é de quase 66 mil toneladas. O principal país comprador dos produtos da reciclagem animal brasileira é o Vietnã, que importou 26,53% de todo o volume exportado. Outros importantes parceiros comerciais são Bangladesh e Chile.
O principal destino das farinhas e gorduras de origem animal produzidas no Brasil é a fabricação de rações para animais, como suínos, aves e peixes, responsável por 59,5% de todo o mercado consumidor. Na sequência aparecem: biodiesel, pet food, higiene e limpeza, cosméticos, fertilizantes, vernizes, lubrificantes, entre outros.
Economia do setor
O setor de reciclagem animal gera cerca de 40 mil empregos formais no Brasil. Entre 2010 e 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de farinhas e gorduras de origem animal evoluiu positivamente, com crescimento médio anual de 8,1%, e atingiu R$ 7,9 bilhões em 2014.
As indústrias de reciclagem animal geraram R$ 1,59 bilhão em impostos diretos, número equivalente a 20% do PIB do setor – um aumento de 39% na arrecadação em relação a 2010.
Para o presidente da entidade, Clênio Antônio Gonçalves, o setor de reciclagem de resíduos animais obteve importantes vitórias nos últimos anos, como sua identificação no ciclo econômico do agronegócio e o crescimento da produção. "É importante frisar a grande contribuição do setor para o saneamento do meio ambiente, uma vez que transforma os coprodutos de origem animal, que são poluentes em potencial, em produtos que são reabsorvidos pela cadeia produtiva. A conscientização do poder público sobre a importância da reciclagem dos coprodutos de origem animal é de vital importância para a manutenção da cadeia da carne e é necessária a adoção de políticas públicas específicas para o setor e seus segmentos", destacou. (canalrural)

O plástico mais ecológico do mundo

A invenção deste plástico pode salvar a natureza
Um pesquisador da Universidade do Colorado, nos EUA, conseguiu criar um tipo de polímero que 'se monta e desmonta' facilmente na natureza.
Entenda as consequências
Cientista produz primeiro plástico completamente renovável e acessível.
Eugen Chen, um químico da Universidade do Estado do Colorado, experimentou com um monômero a produção deu um biopolímero que pode voltar completamente ao seu estado original. As palavras parecem difíceis, mas, na essência, a descoberta poderá acabar de uma vez por todas com os problemas de desperdício de plástico (principalmente do tipo PET) em todo o mundo.
As estatísticas mostram que em média 90 quilos de polímeros sintéticos (sendo a grande maioria não biodegradável) são utilizados por pessoas a cada ano. Os plásticos são os responsáveis ‘número um’ por colaborar com este nível de poluição, já que a cada ano, uma média de 10 a 20 milhões de toneladas de plástico são jogadas no mar, em uma quantidade estimada de 5,25 trilhões de fragmentos. O que representa uma perda anual de US$ 13 bilhões calculados em danos ao ecossistema marinho.
Até a descoberta, os plásticos biodegradáveis, como o PLA podiam ser submetidos parcialmente a uma reciclagem termal para se recuperarem e voltarem á forma original. Em contraste, a invenção de Chen pode retornar completamente à sua estrutura inicial mais simples, o monômero, apenas por uma relação de aquecimento. O GBL, como é chamada a novidade, pode ser reutilizada a partir do momento em que retorna à sua forma básica.
GBL é um líquido incolor que tem diversas possíveis utilizações indo de removedor de cola à opção de limpeza. Anteriormente, a comunidade científica não acreditava e havia feito uma teoria para provar a ineficiência do GBL na substituição do plástico. No entanto, Chen e o seu companheiro, Miao Hong, resolveram conduzir experimentos para tentar provar. Eventualmente, eles descobriram um método de produção do poly (GBL) e sua transformação em GBL. Indo mais à frente, eles desenvolveram um meio de dar forma ao polímero.
A invenção tem um processo de degradação e recomposição similar ao do P4BH, um tipo de plástico biodegradável, porém seu valor de produção é bem menor, mais abundante e mais amigável ao meio ambiente. As propriedades podem realmente levar a uma mudança radical no potencial industrial. É importante ressaltar que o material não leva petróleo em sua composição e pode ser quebrado facilmente por microorganismo, além de ser completamente reutilizável. (yahoo)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O sequestro da sustentabilidade

Depois dos 150 chefes de estado deixarem Paris nas mãos de seus negociadores para discutir o futuro do Planeta na COP21. Os países membros do G77 querem financiamento para se adaptar aos impactos das mudanças climáticas e suas consequências e para a transição para uma energia verde. Sem garantias econômicas nada acontecerá, esta tem sido a premissa da sustentabilidade: Quem paga a conta?
A urgência demanda que medidas sérias sejam adotadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa para que a temperatura global não ultrapasse os 2°C ou teremos impactos irreversíveis. Até 12/12/15 saberíamos se realmente os homens do poder desejam minimizar os efeitos das mudanças climáticas ou irão se curvar mais uma vez ao atual modelo econômico e suas consequências devastadoras. Neste ínterim, a palavra sustentabilidade será usada e abusada. O que já foi esperança se tornou um jargão com pouca credibilidade!
Um recorte para o ano de 1995, quando eu estava tentando completar meu doutorado na Universidade de Nottingham (Inglaterra) e tive a oportunidade de participar oficialmente da minha primeira conferência acadêmica internacional que discutia o desenvolvimento sustentável, em Manchester. Já no início, assisti a uma palestra de uma doutoranda russa que havia entrevistado acadêmicos nos Estados Unidos e na nova Rússia (pós-dissolução da União Soviética), pedindo para eles descreverem o que entendiam sobre desenvolvimento sustentável. Foram 74 diferentes definições e eu acabei também sabendo que a palavra sustentabilidade não existe no vocábulo russo, sendo que a mais próxima seria “estabilidade”. Uma resposta de um professor se destacava no estudo: “Estabilidade para mim é ter pão sobre a mesa”. Simples e direto, diante de um estado que não mais garantia o básico, o que importava era garantir a sobrevivência física de sua família!
Para mim, desde então, a sustentabilidade tomou outra dimensão. Em dois anos de pesquisa, eu já havia lido dezenas de livros e artigos científicos que debatiam a economia, energia, exploração de recursos naturais não renováveis, globalização, explosão demográfica, impactos socioambientais, pensamento sistêmico, ecologia industrial e a proposta de desenvolvimento sustentável. Na ocasião apresentei meu primeiro artigo em conferência e que tentava fazer sentido disto tudo. O título era provocador: “The Big Brothers: Trasnational Corporations, Trade Organizations and Multilateral Financial Institutions” (em português Os Grandes Irmãos: Empresas Transnacionais, Organizações de Comércio e Instituições Financeiras Multilaterais), numa referência ao romance de George Orwell, de 1984, depois transformado em filme. Neste eu apresentava minhas dúvidas e sérias preocupações que com o modelo econômico mundial, onde seria muito difícil vingar a sustentabilidade sob esta tríade dos Big Brothers. Na ocasião, o organizador da conferência, Prof. Richard Welford, da Universidade de Huddersfield, também editava um novo livro: “Hijacking Environmentalism: Corporate Responses to Sustainable Development”, numa tradução livre, seria algo como: “Sequestro do Ambientalismo: Resposta das Empresas para o Desenvolvimento Sustentável”, e acabou me convidando para colocar meu artigo em forma de capítulo no livro, tendo ele como coautor. O livro composto por dez capítulos apresentava uma dura crítica de como o termo “desenvolvimento sustentável” vinha sendo desfigurado de sua proposta, se traduzindo em soluções rasas e de marketing empresarial. A “lavagem verde” vinha prevalecendo, isto é, uma apropriação das virtudes ambientais por parte das empresas, num jogo de faz de conta!
20 anos depois, vemos a lama da Samarco, Vale e BH Billinton, destruir a bacia do Rio Doce e a possibilidade de renda de centenas de pessoas, revelando da pior forma o quanto estamos desprotegidos e o quanto temos de lutar para que as pessoas “tenham pão na mesa”, diante da irresponsabilidade e negligência dos setores privados e públicos; Vemos uma empresa como a Vale ser desqualificada do Índice de Sustentabilidade da BM&FBovespa, quando eu me pergunto: Como ela foi parar lá diante das suas atividades nefastas já denunciadas antes do crime de Mariana?; Vemos o Senado Federal aprovar a PL 654/2015, que acelera a liberação de licenças ambientais para grandes empreendimentos em infraestrutura, reduzindo o prazo de liberação para 60 dias, demonstrando o quanto somos reféns do modelo politico-propina-empresa; Vemos os discursos sobre a importância da sustentabilidade na boca do povo e ao mesmo tempo as pessoas se digladiando para consumir nas “Black Fridays” ao redor do mundo; Vemos discursos oficiais da presidência da República falando em controle de desmatamento e energia limpa, enquanto nos impõe a Usina de Belo Monte e aumenta a participação da energia suja no sistema!
Enfim, vemos que o livro de Welford, de 1995, nunca esteve tão atual e o quanto ainda temos de barreiras pela frente para alcançar a sustentabilidade. Só nos resta saber se ainda há tempo para chegar a algum lugar, sem sequestros no meio da estrada, sem emissões e com o pão garantido! (ecodebate)

10 mitos sobre a sustentabilidade

Verdades e mentiras
Para ajudar no entendimento desse conceito, a repórter Carolina Melo ouviu uma dezena de especialistas para identificar os 10 mitos sobre a sustentabilidade.
Quando uma palavra cai na boca do povo e pode ser ouvida em toda parte, referindo-se a uma variedade de assuntos, há duas possibilidades. A primeira é ela ter virado um chavão, um lugar-comum destituído de significado real, que pode ser usado para qualquer coisa, da venda de sabonete aos programas de governo. A outra possibilidade é a palavra representar um conceito que realmente se tornou o zeitgeist - o "espírito dos tempos", termo criado pelos filósofos alemães - da nossa era. A expressão "ser verde" se encaixa claramente na primeira categoria. Qual é o caso de sustentabilidade? Vamos a eles:
1. Ninguém realmente sabe o que isso significa
O sentido moderno do termo foi claramente definido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, da Organização das Nações Unidas, em 1987. O documento, chamado Nosso Futuro Comum, classificou o desenvolvimento sustentável como aquele que "satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades". Ou seja, recomenda cuidar dos ecossistemas no presente para que haja recursos suficientes para sustentar a vida humana no futuro. "Sustentabilidade não é apenas proteger o ambiente", disse a VEJA o americano Anthony Cortese, fundador e presidente da organização educacional Second Nature: "Não estamos preocupados com a salvação do planeta. A Terra já sobreviveu a cinco extinções em massa, a última delas a que acabou com os dinossauros, há 65 milhões de anos, e vai sobreviver se o modo de vida humano causar nova extinção em massa". O assunto não é se preocupar com o fim do mundo, completa Cortese, "mas encontrar formas de preservar a capcidade da Terra de sustentar uma civilização próspera e moderna."
2. É um sinônimo de verde
Os dois conceitos têm pontos em comum, mas "verde" significa, sobretudo, a preferência do natural sobre o artificial. Com quase 7 bilhões de pessoas no planeta e um acréscimo de 2 bilhões previsto para 2050, dependemos da tecnologia para dar a elas um bom padrão de vida. A tecnologia não é algo necessariamente ruim. Quando limpa, sem causar impactos destrutivos ao ambiente, pode encontrar recursos renováveis, como as células solares, as turbinas de vento e os carros elétricos. "O tempo que o planeta demora em produzir os recursos de que o homem precisa é muito maior do que o tempo que o homem leva para consumi-los. Por isso a tecnologia limpa é tão importante", disse Rosely Imbernon, especialista em educação ambiental da Universidade de São Paulo.
3. Trata-se, em resumo, de preservar a natureza
Seria limitado discutir a sustentabilidade apenas do ponto de vista ambiental. As perspectivas sociais e econômicas da humanidade estão no mesmo patamar da preservação do meio ambiente. Mesmo que os moradores das grandes cidades decidam economizar água para que o abastecimento seja suficiente para todos, quase 1 bilhão de pessoas não terão acesso garantido a esse recurso - e isso não é sustentável. "Hoje, 70% dos recursos naturais são consumidos por apenas 25% da população mundial. Não basta cuidar desses recursos, é preciso encontrar uma forma de garantir uma vida saudável para todos", diz Anthony Cortese, da Second Nature.
4. É outra palavra para reciclagem
Reciclar se tornou a solução simbólica da crise ambiental e é a mensagem mais divulgada quando se fala em contribuir para a sustentabilidade. Deu certo, de muitas formas. As pessoas estão realmente preocupadas com o assunto, e a coleta seletiva de lixo se tornou a contribuição que a maioria está disposta a dar ao futuro do planeta. A complicação é que encaminhar garrafas e latas de alumínio para o reaproveitamento é apenas um item de uma enorme pauta. Energia e transporte, por exemplo, são questões com maior prioridade. "A reciclagem deveria ser a última etapa realizada em desenvolvimentos sustentáveis", diz Rosely Imbernon, da USP. "A escolha de produtos com menor impacto ambiental e de tecnologias mais limpas deve ser o primeiro passo." Em resumo, quem acha que vive de forma sustentável apenas porque está separando o lixo para a reciclagem precisa pensar melhor no assunto.
5. Custa muito caro
Esse é o mito dos mitos. A impressão de que ser sustentável sai caro está associada ao fato de que existe um custo inicial na implantação de tecnologias limpas. De fato, quando se tem um sistema insustentável - a fábrica poluente, o transporte a diesel, lâmpadas incandescentes ou um carrão gastador na garagem -, não há como escapar de despesas na troca por tecnologia mais sustentável. Quase sempre o investimento é fartamente recompensado pela economia que se fará no futuro. Algumas vezes nem é necessário gastar com nova tecnologia, mas apenas modificar processos rotineiros. Anthony Cortese dá um exemplo: "A Interface, a maior fabricante mundial de carpetes, economizou 400 milhões de dólares nos últimos dez anos somente por reduzir o desperdício de matéria-prima utilizada na produção".
6. Significa reduzir o padrão de vida
Não é verdade. Ou, pelo menos, não toda a verdade. Durante muito tempo, a sustentabilidade foi encarada como uma crítica ao alto padrão de vida dos habitantes dos países ricos. O conceito de sustentabilidade não é um clamor por uma vida menos confortável, mas, sim, uma reflexão sobre o consumo excessivo. Basicamente, é uma proposta de fazer mais com menos. "Não é preciso deixar de viver bem, mas mudar o conceito do que é uma vida boa", disse a VEJA Mark Lee, diretor da Sustainability, consultoria com sede em Londres. "Pequenas substituições podem ter resultados extraordinários."
7. Depende dos consumidores e militantes, não do governo
A escolha do consumidor e dos movimentos organizados é necessária e produtiva, mas não é suficiente para promover grandes mudanças. Só o governo tem o poder e os recursos para fazer diferença real. Pode, por exemplo, usar a tributação para coibir a emissão de gases do efeito estufa. Também pode criar padrões para veículos mais eficientes no uso de combustíveis. Um ponto controverso diz respeito a deixar ou não a questão da sustentabilidade a cargo da livre iniciativa. Pode-se esperar que os preços subam naturalmente à medida que os recursos naturais fiquem escassos, reduzindo-se assim o consumo. O problema, no entender de Anthony Cortese, é que o preço da maioria dos produtos não inclui o verdadeiro valor dos serviços que o planeta nos presta com seu ecossistema. Caberia ao governo informar à sociedade o valor real dos impactos externos de cada item. Dessa forma, a indústria se veria obrigada a procurar soluções mais eficientes e responsáveis para não ficar fora do mercado. "Temos um falso senso de segurança quanto aos impactos que causamos no dia a dia; por isso precisamos saber o preço real das coisas para refletir sobre a verdadeira causa", diz.
8. Novas tecnologias são a solução
Nem sempre criar novas tecnologias é a solução para a dilapidação dos recursos naturais. Às vezes, reinventar uma metodologia ou um sistema já existente atende perfeitamente aos desafios da sustentabilidade. "Muitas pessoas pensam na melhoria do carro, mas poucas pensam em mobilidade urbana", diz Maria Raquel Grassi, coordenadora do núcleo Petrobras de sustentabilidade da Fundação Dom Cabral. "Sem os engarrafamentos, reduziríamos o gasto de combustível."
9. O cerne do problema é a superpopulação
Não é exatamente um mito, mas uma falsa questão. Todo o problema ambiental é, em última análise, populacional. Se a população total do planeta fosse reduzida a 190 milhões de pessoas - um Brasil, portanto -, teríamos espaço de sobra para depositar nosso lixo bem longe de casa. Mas isso não vai acontecer. Como já está bem demonstrado, a melhor forma de conter o aumento da população é promover a educação e a melhoria das condições de vida. Como a vida melhorou em boa parte do mundo, a ONU já foi forçada a rever suas projeções de crescimento populacional: o número de pessoas na Terra deve se estabilizar em torno de 9 bilhões em 2050. É muita gente, visto que hoje, com 6,8 bilhões de habitantes, já estamos gastando recursos naturais acima da capacidade de reposição do planeta. Mas há como contornar o problema. A China, com 1,3 bilhão de habitantes, é o maior produtor de gases de efeito estufa no mundo. Mas as emissões per capita correspondem a apenas 30% das dos Estados Unidos, que têm 310 milhões de habitantes. "A culpa não é só do tamanho da população, mas também da integração do crescimento populacional com os hábitos de consumo da sociedade", diz Anthony Cortese. "Se o mundo inteiro consumisse como os Estados Unidos, precisaríamos de quatro planetas", explica.
10. É fácil viver de forma sustentável
Nem sempre uma atitude sustentável é suficiente para colaborar com o planeta. Não que seja inútil, mas o conceito de sustentabilidade está ligado a atitudes que consideram resultados de longo prazo. "Na hora de tomar uma decisão para um negócio, vale imaginar todos os impactos possíveis no futuro, ambientais, sociais e econômicos", diz Maria Raquel Grassi. Antes de desenvolver uma prática que aparenta ser a solução de todos os problemas, é preciso olhar para todos os lados e ter certeza de que ela não causará outros tipos de impacto. Um exemplo: a derrubada de uma floresta para plantar cana para a produção de etanol. O uso do combustível alternativo seria benéfico no que diz respeito à emissão de gases do efeito estufa. Mas a derrubada da mata, por sua vez, encheria a atmosfera com mais dióxido de carbono. "Entender o conceito é um grande passo, mas os resultados só são percebidos depois que o ciclo se completa sem passar por nenhum problema", explica Mark Lee. (abril)

Sustentabilidade para a sobrevivência dos povos

As florestas devem ser preservadas não apenas porque atuam no sequestro de carbono e dessa maneira contribuem para impedir o aquecimento global, mas também porque produzem O2, protegem o solo, os mananciais de água, a fauna e a flora e possuem um patrimônio genético com enorme potencialidade para a pesquisa bioquímica e genética. Graças à Convenção das Diversidades Biológicas (CDB) assinada no Rio-92 cada país possui o direito soberano sobre a biodiversidade existente em seu território, mas possui também o dever de conservá-la e preservá-la.
Recentemente, em Nagoya no Japão, foi estabelecido o protocolo sobre Acesso e Repartição de Benefícios dos Recursos Genéticos da Biodiversidade (ABS) que garante a proteção internacional do patrimônio ecológico de cada país.
De acordo com o novo conceito de patenteamento proposto pela CDB em 1992, os rendimentos advindos de “princípios ativos” encontrados nas espécies da flora e da fauna devem ser divididos entre as empresas, os pesquisadores e o país detentor dessa biodiversidade. No conceito antigo e tradicional de patenteamento os direitos de comercialização de qualquer produto pertenciam àquele que primeiro os registravam nos órgãos de Registro de Patentes.
Atualmente, as comunidades nativas detentoras de conhecimentos específicos possuem também direitos a dividir os ganhos. Se numa pesquisa de fabricação de medicamento for utilizada uma planta da flora, os nativos que possuem conhecimento sobre ela devem receber parte do lucro decorrente da industrialização do produto. O contrabando de espécies, de uma nação para outra, passou a ser dificultado devido ao protocolo ABS. Para ter acesso aos recursos genéticos, as nações interessadas em explorar matéria prima de outra nação precisarão ter o consentimento prévio daquele país. Dessa maneira, o estímulo econômico incentiva as comunidades do país a conter a destruição da biodiversidade de seus ecossistemas. Na ausência do protocolo, os benefícios da biodiversidade não serviriam diretamente aos interesses das comunidades nativas, que por essa razão, não teriam motivação para garantir a sustentabilidade de seus recursos naturais.
Dez mil espécies da biodiversidade planetária estão desaparecendo por ano. Após a Conferência das Partes (COP-10) em Nagoya ficou estabelecido que 17% das áreas naturais do planeta devem ser preservadas. Antes desse encontro a exigência era de 10% tanto para ecossistemas do Epinociclo (terrestres) quanto para do Talassociclo (marinhos). Infelizmente, até o momento apenas 1% dos oceanos estão sendo preservados.
Alguns ecossistemas conhecidos como “hotspots” (pontos quentes) possuem grande diversidade biológica e um grande número de espécies endêmicas ameaçadas pelas atividades antrópicas. Diante da enorme perda de espécies que está ocorrendo no planeta a cada ano, o cumprimento das metas que visam conservação de áreas protegidas deve ser mais rigoroso, dentre elas: Impedir a poluição, aumentar as barreiras para a introdução de espécies exóticas, estabelecer novas áreas a serem protegidas e submetidas a programas destinados às espécies e habitat (local onde a espécie vive) vulneráveis. Conhecimentos sobre biodiversidade e ecossistemas específicos de cada país são fundamentais para que se estabeleça o adequado planejamento para êxito de tais medidas.
Os países desenvolvidos devem mobilizar recursos financeiros para ações da Biologia de Conservação, caso contrário, a dramática extinção em massa, dessa vez de origem antrópica – a 6ª extinção do nosso planeta – se estabelecerá como uma dramática perda de sustentabilidade para a sobrevivência dos povos. Os países em desenvolvimento precisam receber recursos financeiros para não degradarem seus ecossistemas, pois se seguirem o mesmo padrão de exploração não sustentável já verificado naqueles, as linhas da Teia da Vida que sustentam a biosfera se romperão numa velocidade superior à capacidade de restauração estabelecida pelos ecossistemas. (estiloramy)

Sustentabilidade e a visão tradicional de responsabilidade social


No começo de agosto de 1987, a Assembleia das Nações Unidas tornou público o relatório Nosso Futuro Comum, elaborado pela Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento, que define o conceito de desenvolvimento sustentável como sendo “aquele que satisfaz as necessidades das atuais gerações sem comprometer as capacidades das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades”.
O documento destaca ser impossível separar o desenvolvimento econômico da temática ambiental para que se alcance a construção de um futuro mais próspero, mais justo e mais seguro. A partir da divulgação do documento se desencadeou um intenso e amplo debate sobre a sustentabilidade em nível global, particularmente, no ambiente acadêmico, econômico e político. Embora tenham se passado 28 anos, o meio empresarial ainda não assumiu o conceito de modo completo e responsável e poucos o incorporaram na gestão de seus negócios. No entanto, a preocupação no meio empresarial é significativa, pois o tema está em evidencia e passa a ser compreendido, cada vez mais, por amplos setores da sociedade.
Ocorre que com os debates que se seguiram, o conceito de sustentabilidade evoluiu significativamente tornando mais clara a relação da abordagem ambiental com os aspectos social e econômico. Neste sentido, no âmbito empresarial, a sustentabilidade deve levar em consideração os diversos grupos de interesse como os clientes, consumidores, investidores, fornecedores e suas respectivas expectativas.
Para a empresa é importante que a sua gestão interna reconheça o valor da sustentabilidade, mantendo vínculos constantes e transparentes com os grupos de interesse. Essa política contribuirá para a identificação de novas oportunidades e diminuirá os riscos que ameacem seu negócio.
Ocorre que no caminho para um aumento da responsabilidade corporativa em termos de sustentabilidade, costuma-se observar vícios na utilização do conceito, em especial nas ações de marketing e publicidade enganosa. Há uma visão tradicional de responsabilidade social corporativa que é compartimentada e gera empresas que permanentemente adotam posturas contraditórias. Por exemplo, elaboram produtos cancerígenos e ao mesmo tempo realizam grandes doações a instituições que pesquisam o câncer. Outras inserem em seus sites na internet mensagens simbólicas destacando seu envolvimento com a sustentabilidade e no entanto, mantém um ambiente interno de trabalho de insegurança, com pressão sobre seus funcionários para aumentar a produtividade e, por vezes os submetem a situações vexatórias chegando a caracterizar assédio moral.
Um dos aspectos mais conhecidos dessas posturas contraditórias é o “greenwashing” (lavagem verde, em inglês) que é a comercialização, posicionamento ou comunicação de um produto ou serviço como benéfico ao meio ambiente, baseado em informação falsa, enganosa ou inexata. Isto ocorre, por exemplo, quando uma empresa oferece um produto prejudicial à saúde em plástico reciclado; ou exibir uma garrafa de água como biodegradável – o que é uma informação irrelevante. Determinados atributos são exagerados, focando em seus aspectos positivos, enquanto outros negativos que podem ser a maioria, são ignorados. O “greenwashing” pode existir tanto ao nível do produto como num relatório de responsabilidade social que oferece uma imagem incompleta ou inexata do negócio.
As empresas devem abandonar essas práticas de publicidade enganosa e utilizar o desenvolvimento sustentável como conceito-chave em sua estratégia, promovendo ações concretas com benefícios tangíveis para a empresa, os seus diversos grupos de interesse e a sociedade de modo geral. Seriedade em ações de responsabilidade social significa transparência nas ações e nos relatórios de sustentabilidade e diálogo permanente com seus grupos de interesse. (ecodebate)

A infraestrutura verde que o planejamento urbano deixou de reconhecer

A infraestrutura verde que o planejamento urbano frequentemente deixa de reconhecer abrange a vegetação espontânea, os quintais particulares...